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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O que é...

O que é o celular, ou o que são as relações humanas na pós-modernidade
por Zygmunt Bauman

Uma mensagem brilha na tela em busca de outra. Seus dedos estão sempre ocupados: você pressiona as teclas, digitando novos números para responder às chamadas ou compondo suas próprias mensagens. Você permanece conectado – mesmo estando em constante movimento, e ainda que os remetentes ou destinatários invisíveis das mensagens recebidas e enviadas também estejam em movimento, cada qual seguindo suas próprias trajetórias. Os celulares são para pessoas em movimento.

Você nunca perde de vista o seu celular. Sua roupa de jogging tem um bolso especial para ele, e você nunca sai com aquele bolso vazio, da mesma forma que não vai correr sem seu tênis. Na verdade, você não iria a nenhum lugar sem o celular ('nenhum lugar' é, afinal, o espaço sem um celular, com um celular fora de área ou sem bateria). Estando com seu celular, você nunca está fora ou longe. Encontra-se sempre dentro – mas jamais trancado em um lugar. Encasulado numa teia de chamadas e mensagens, você está invulnerável. As pessoas ao seu redor não podem rejeitá-lo e, mesmo que tentassem, nada do que realmente importa iria mudar.

Zygmunt Bauman,
Amor Liquido:
Sobre a fragilidade dos laços humanas, p. 78

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Vista cansada

Acho que foi o Hemingway quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela última vez. Pela última ou pela primeira vez? Pela primeira vez foi outro escritor quem disse. Essa idéia de olhar pela última vez tem algo de deprimente. Olhar de despedida, de quem não crê que a vida continua, não admira que o Hemingway tenha acabado como acabou.

Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não-vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio.

Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer.

Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima idéia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos.

Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.

Otto Lara Resende

quinta-feira, 26 de junho de 2008

O que é a Modernidade

Sabedoria de Millor

Moderno. Moderno em relação a quê? Moderno é apenas um pressuposto cronológico. Se o rádio tivesse sido inventado depois da televisão as crianças sairiam correndo, maravilhadas: "Mamãe, mamãe, inventaram uma televisão sem cara!"

Millor Fernandes

domingo, 8 de junho de 2008

Casamento é cultural, sexo não!

Retirei o texto a seguir do site Lion de Zion que cheguei através do Pavablog. O texto intitulado A formalidade do Casamento e o sexo livre. O texto inicia falando da virgindade e depois da união civil, e lembrando que casamento é cultural... um bom texto, me faz pensar, e muito.

Segue um trecho...

"O casamento jurídico, especificamente, tem ou não existido na história dos povos. Para Chauí “Somente com a consolidação das revoluções burguesas, com aquilo que alguns designam como o ‘desencantamento do mundo’ (isto é, a perda do poderio religioso católico-romano sobre a sociedade) e com o advento do Estado moderno, o casamento passou a ser cerimônia civil, sob o controle do Estado”.

O conceito é de que o sexo traz união matrimonial e entrelaça normalmente na expectativa de uma vida amorosa e outros conceitos são adjetivos, importantes sim dentro das comodidades individuais e necessárias, mas não essenciais. A prática religiosa contemporânea, contudo, e infelizmente, parece ter invertido essa escala de importância. Tornando aquilo que era espontaneo em formal e dando um impacto de importância no cerimonial, além do mais começamos a casar de “papel passado” e o amor, a responsabilidade e a qualidade dos relacionamentos ficaram em último plano."

Para ler o texto completo clique aqui.

Esse texto gerou muitos comentários, dentre eles o que mais me chamou atenção foi esse.

"O entorno do casamento é cultural, realmente. O que a gente não pode fazer de jeito nenhum - DE JEITO NENHUM, sob pena de levar uma vida amarga e infeliz - é ignorar a importância desses elementos culturais pra cada um de nós. Somos TODOS seres 100% simbólicos. Os símbolos da união matrimonial mudam de tempos em tempos, de lugar pra lugar, mas nem por isso precisam ser desconsiderados ou descartados! Ninguém nasce fora de uma cultura. Logo, todo mundo é parte de uma, seja qual for”.