do blog de onde eu tirei esse video 30 Things To Make Life More Beautiful você encontra postagens conservadorissimas como uma carta aberta para o presidente Bush e agradecendo-o pelo (des) serviço prestado e suspeitas sobre o discurso do Barack Obama quando este fala com os Mulçumanos. A blogueira é conservadora, o que me chama a atenção é que ela é leitora e comentarista de textos do Philip Yancey que ao meu ver (corrijam-me se estiver enganado ) parece ser nada consevador. Não imaginava que ele possuía leitores em grupos conservadores como parece ser essa blogueira.
Prosear é um jeito de falar. Fala sem objetivo definido, como o vôo dos urubus - indo ao sabor do vento. Palavras fluindo. Para prosa não existe 'ordem do dia', não há conclusões, não há decisões. A prosa não quer chegar a nenhum lugar. A prosa encontra sua felicidade em prosear. Como andar de barco a vela em que o bom não é chegar mas o 'estar indo'. Rubem Alves
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
domingo, 14 de setembro de 2008
Jesus e a vontade de Deus
Logo após a nossa conversão – o encontro com Cristo ou a aceitação da mensagem da salvação, somos instados a 'estar na vontade de Deus'. Essa ênfase, apesar de em tese correta, carrega vícios e incompreensões perigosas, pelo excesso de religião e legalismo.
Primeiro que não existe o centro da vontade de Deus para a vida do cristão.
Em segundo lugar, que a vontade e o comportamento são resultantes de uma causa anterior na vida do cristão, e isso em si é recomendado, enfatizado e até ordenado por Jesus. Vou procurar assim ser simples, curto e muito objetivo.
Logo após a nossa conversão ou compromisso com o senhorio de Cristo, deveríamos – isso sim – ser impelidos de imediato a conhecer o significado de João 15, quando Jesus nos trata como ramos da videira, Ele mesmo sendo a própria e a verdadeira e o Pai sendo o agricultor. A figura central aqui é totalmente pertinente ao novo viver. No verso 5 temos mais uma chave: permanecer nele para que Ele permaneça em nós. E quando isso é verdadeiro, há muitos frutos. Ou seja, o ramo (galho, extensão) da árvore, dá sentido: faz fluir frutos.
Nos versos seguintes Jesus esclarece um pouco mais: "se pemanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e vos será concedido." Ou seja só haverá uma só sintonia entre o que se quer orar e pedir, se estivermos com Ele e somente se as Suas palavras estiverem também em nós.
Só de seguir do primeiro ao sétimo verso já 'desmascaramos' muito do que é o Cristianismo de gaveta. Utilizo aqui uma figura de linguagem corporativa. Quero dizer 'por gaveta' quando publicamente se transmite uma aparência de compromisso, como se este fosse definitivo, mas que é tão somente de fachada. A verdadeira agenda está escondida na gaveta – onde poucos a conhecem. Externa-se através da dissimulação o que se quer dar a entender, porém não é o que importa - pois o principal está escondido.
Só que temos mais desdobramentos no texto da videira verdadeira. "Meu Pai é glorificado nisto: em que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos." Pegando então o fio da meada: permanecer em Cristo, permanecer nas palavras, atuar na cumplicidade (conheço tão intimamente o Mestre, permaneço tão fortemente nEle e nas Suas palavras, que falamos a mesma língua naquilo que peço e oro, e que me é concedido). Essas ênfases são de mundo interior. E o que fazemos a partir daí é mundo exterior.
O ser discípulos é mundo interior, o dar frutos é mundo exterior. O permanecer nEle, na palavra, buscar a glória do Pai, orar (pedir e ser concedido) é mundo interior. E mundo interior é causa. Os frutos, as ações, o amor expresso – é mundo exterior. E mundo exterior é o efeito (a conseqüência).
Está aí objetivamente a vontade de Deus expressa: sermos discípulos. É isso que importa. Essa é a verdadeira agenda. Oito simples versos, que quando levados a sério, faz cair por terra a discussão do centro da vontade de Deus.
Façamos certo o princípio, o início da verdadeira agenda. Só de botar o pé nessa estrada, como discípulos, já estaremos garantindo uma boa e certeira caminhada cristã.
Volney Faustini
prosado em http://volneyf.blogspot.com/
Primeiro que não existe o centro da vontade de Deus para a vida do cristão.
Em segundo lugar, que a vontade e o comportamento são resultantes de uma causa anterior na vida do cristão, e isso em si é recomendado, enfatizado e até ordenado por Jesus. Vou procurar assim ser simples, curto e muito objetivo.
Logo após a nossa conversão ou compromisso com o senhorio de Cristo, deveríamos – isso sim – ser impelidos de imediato a conhecer o significado de João 15, quando Jesus nos trata como ramos da videira, Ele mesmo sendo a própria e a verdadeira e o Pai sendo o agricultor. A figura central aqui é totalmente pertinente ao novo viver. No verso 5 temos mais uma chave: permanecer nele para que Ele permaneça em nós. E quando isso é verdadeiro, há muitos frutos. Ou seja, o ramo (galho, extensão) da árvore, dá sentido: faz fluir frutos.
Nos versos seguintes Jesus esclarece um pouco mais: "se pemanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e vos será concedido." Ou seja só haverá uma só sintonia entre o que se quer orar e pedir, se estivermos com Ele e somente se as Suas palavras estiverem também em nós.
Só de seguir do primeiro ao sétimo verso já 'desmascaramos' muito do que é o Cristianismo de gaveta. Utilizo aqui uma figura de linguagem corporativa. Quero dizer 'por gaveta' quando publicamente se transmite uma aparência de compromisso, como se este fosse definitivo, mas que é tão somente de fachada. A verdadeira agenda está escondida na gaveta – onde poucos a conhecem. Externa-se através da dissimulação o que se quer dar a entender, porém não é o que importa - pois o principal está escondido.
Só que temos mais desdobramentos no texto da videira verdadeira. "Meu Pai é glorificado nisto: em que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos." Pegando então o fio da meada: permanecer em Cristo, permanecer nas palavras, atuar na cumplicidade (conheço tão intimamente o Mestre, permaneço tão fortemente nEle e nas Suas palavras, que falamos a mesma língua naquilo que peço e oro, e que me é concedido). Essas ênfases são de mundo interior. E o que fazemos a partir daí é mundo exterior.
O ser discípulos é mundo interior, o dar frutos é mundo exterior. O permanecer nEle, na palavra, buscar a glória do Pai, orar (pedir e ser concedido) é mundo interior. E mundo interior é causa. Os frutos, as ações, o amor expresso – é mundo exterior. E mundo exterior é o efeito (a conseqüência).
Está aí objetivamente a vontade de Deus expressa: sermos discípulos. É isso que importa. Essa é a verdadeira agenda. Oito simples versos, que quando levados a sério, faz cair por terra a discussão do centro da vontade de Deus.
Façamos certo o princípio, o início da verdadeira agenda. Só de botar o pé nessa estrada, como discípulos, já estaremos garantindo uma boa e certeira caminhada cristã.
Volney Faustini
prosado em http://volneyf.blogspot.com/
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Sobre blogueiros e bloguistas...
Franka discorda
Sou uma defensora dos blogs. Foi o que disse hoje no Estadão, numa matéria sobre blogs e literatura. O repórter me ligou essa semana. Era uma matéria pra o caderno Cultura de hoje.
Não entendo porque esse assunto incomoda tanto e porque tem tanta matéria a respeito. Ora, pra mim é muito simples. Escritor é quem escreve bem. Não importa onde. Se um escritor é bom e eu gosto de lê-lo, vou lê-lo num livro, num jornal, num folheto, num blog, num site, num papel de pão. Será que importa tanto o "onde"?. Eu sou blogueira e que tenho o maior orgulho disso. Muitas das outras pessoas entrevistadas na matéria ficam naquela lenga-lenga, batendo a cabeça aqui e ali discutindo se blog é ou não é literatura. Putis, pra quê? Pra mim é.
Então, na matéria, quando ele falou de mim e colocou minhas opiniões, disse: "... discorda Lúcia Carvalho, do blog Frankamente... ". "Discorda Lúcia", ele disse. Uau. Fui a do-contra da matéria. Hahaha. É que muita gente implica e acha que blog é "meu-diário", propaganda pessoal da pessoa, lugar sem leitor, espaço pra se exibir, literatura menor, blá, blá, blá. Mas como eu poderia ser diferente? Comecei dentro de um blog e não se abandona quem nos criou. O meu blog é a minha nave-mãe. Disse a ele que gosto muito, mas muito mesmo de escrever em blogs, e que o que torna uma pessoa um escritor é ter leitores, não importa em que mídia ou gênero literário. E assim como tudo na vida, os que tem talento vingam. Óbvio que blogs chatos vão afundar. Se você tem talento e um bom produto - o que na internet, pra mim, é escrever textos rápidos e curtos (eu expliquei que aprendi que leitura de blogs é sempre rápida, muita gente lê durante o dia, no meio do trabalho, mas ele não entendeu...) - porque não teria leitores? E porque esses leitores, só porque lêem seus textos em um blog, não lêem... literatura? Quem inventou a regra que diz que, se você é escritor, tem que necessariamente publicar em um livro? Aliás, tem uma coisa interessante. Não dá pra publicar um romance num blog, eu penso. Romance a gente lê em livros. E a literatura de um blog é o post.
Olha. Sou blogueira e quero ser blogueira sim, mesmo discordando dentro do Estadão. Na verdade, numa conversa ontem com um amigo, ele me disse que eu deveria era querer ser "bloguista".
- Bloguista, Peri?
- É. Acho que os blogueiros profissionais devem ser chamados de bloguistas. É como a diferença entre motoqueiros e motociclistas, jornaleiros e jornalistas. Pra mim existem os blogueiros e o bloguistas, Lúcia. Ser um bloguista que tem que ser a meta dos bons blogueiros.
Verdade.
Eu, a Franka, uma futura bloguista se-Deus-quiser, concordo plenamente com ele.
prosado em http://frankamente.blogspot.com/
Sou uma defensora dos blogs. Foi o que disse hoje no Estadão, numa matéria sobre blogs e literatura. O repórter me ligou essa semana. Era uma matéria pra o caderno Cultura de hoje.
Não entendo porque esse assunto incomoda tanto e porque tem tanta matéria a respeito. Ora, pra mim é muito simples. Escritor é quem escreve bem. Não importa onde. Se um escritor é bom e eu gosto de lê-lo, vou lê-lo num livro, num jornal, num folheto, num blog, num site, num papel de pão. Será que importa tanto o "onde"?. Eu sou blogueira e que tenho o maior orgulho disso. Muitas das outras pessoas entrevistadas na matéria ficam naquela lenga-lenga, batendo a cabeça aqui e ali discutindo se blog é ou não é literatura. Putis, pra quê? Pra mim é.
Então, na matéria, quando ele falou de mim e colocou minhas opiniões, disse: "... discorda Lúcia Carvalho, do blog Frankamente... ". "Discorda Lúcia", ele disse. Uau. Fui a do-contra da matéria. Hahaha. É que muita gente implica e acha que blog é "meu-diário", propaganda pessoal da pessoa, lugar sem leitor, espaço pra se exibir, literatura menor, blá, blá, blá. Mas como eu poderia ser diferente? Comecei dentro de um blog e não se abandona quem nos criou. O meu blog é a minha nave-mãe. Disse a ele que gosto muito, mas muito mesmo de escrever em blogs, e que o que torna uma pessoa um escritor é ter leitores, não importa em que mídia ou gênero literário. E assim como tudo na vida, os que tem talento vingam. Óbvio que blogs chatos vão afundar. Se você tem talento e um bom produto - o que na internet, pra mim, é escrever textos rápidos e curtos (eu expliquei que aprendi que leitura de blogs é sempre rápida, muita gente lê durante o dia, no meio do trabalho, mas ele não entendeu...) - porque não teria leitores? E porque esses leitores, só porque lêem seus textos em um blog, não lêem... literatura? Quem inventou a regra que diz que, se você é escritor, tem que necessariamente publicar em um livro? Aliás, tem uma coisa interessante. Não dá pra publicar um romance num blog, eu penso. Romance a gente lê em livros. E a literatura de um blog é o post.
Olha. Sou blogueira e quero ser blogueira sim, mesmo discordando dentro do Estadão. Na verdade, numa conversa ontem com um amigo, ele me disse que eu deveria era querer ser "bloguista".
- Bloguista, Peri?
- É. Acho que os blogueiros profissionais devem ser chamados de bloguistas. É como a diferença entre motoqueiros e motociclistas, jornaleiros e jornalistas. Pra mim existem os blogueiros e o bloguistas, Lúcia. Ser um bloguista que tem que ser a meta dos bons blogueiros.
Verdade.
Eu, a Franka, uma futura bloguista se-Deus-quiser, concordo plenamente com ele.
prosado em http://frankamente.blogspot.com/
Epístola aos Blogueiros:
Epístola aos Blogueiros
Nunca invejei Santo Agostinho pela sua salvação. Não conseguiria repeti-lo. Guarda-se a impressão de que ele quis se livrar da danação no ombro do Pai. Olhando de perto, ele foi mais corajoso do que conformista. Antecipou o inferno. Não esperou para sofrer na outra dimensão. Pagou à vista o inferno. Converter não é encontrar Deus, é encontrar o inferno.
Blog é prova de resistência. Um big brother ao avesso dos gêneros literários. Em vez de ser conhecido, corresponde a mergulho no anonimato. Distinto da noção do senso comum de que se trata de um lugar para aparecer. O resultado final (a possível badalação de um endereço virtual) não expõe a realidade. Os exibidos foram antes tímidos, os extrovertidos foram antes introvertidos. É a mais dolorida experiência editorial. O mais severo teste vocacional. Uma ferramenta do diabo, capaz de sugar sua vida ou sua aspiração.
Indica a fronteira entre o amador e o escritor, entre o diletante e o renitente, entre o curioso e quem não consegue se afastar da compulsão narrativa. O amador cansará nos primeiros meses. Vai deduzir que não vale a pena o trabalho, que ninguém lê. Uma tortura postar textos durante três meses e não receber nenhum comentário. São os 40 dias do deserto, com as tentações sobrevoando o teclado. "Então Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo demônio e, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, teve fome" (Evangelho de Mateus, capítulo 4, versículo 1).
Você pensou que aquilo seria a glória instantânea. Caprichou na redação, no humor e nas perspectivas singulares de captura do cotidiano. Mas o único que entra no site é você. Chega a esbarrar consigo entre tantos acessos e atualizações. Uma miragem. Cada texto é um quarto vago. Procura contornar o drama. Manda um aviso de postagens para os amigos; manda um aviso de postagens para os desconhecidos, catando endereços aleatórios. Nada mais o separa de um Spam. Recebe avisos ásperos: "não o conheço" ou "favor me excluir da lista". A humilhação não começou. O desespero o obriga a fazer atos impensáveis: entrar de computadores diversos para fazer com que o contador se mexa de alguma forma. Assim como um atacante chuta a bola para as redes alheio à marcação do impedimento. Para se livrar do azar. Ainda que esteja quebrando uma das regras básicas do jogo e leve um cartão amarelo. Não há nem juiz para lhe dar cartão amarelo.
Percebe que lançou um texto com um erro gravíssimo de português. Estava na rua quando lembrou a indecisão ortográfica, longe de qualquer terminal. Corre para uma lan house, consome seu suspiro sem sentir o gosto, arruma e conclui que tampouco alguém reparou.
Decide escrever qualquer coisa que continuará sendo qualquer coisa. O isolamento do blog produz alucinações. O contador de visitas parece uma bomba-relógio: anda para trás. Mas tortura é quando finalmente recebe um comentário. Alegria aflita para abrir a janela, quem será? quem será?, descobre que partiu do pai ou da mãe, solidário com sua desgraça.
Sua personalidade passará a se dividir, e não multiplicar como desejava. Sede de laranjas. Laranjas! Sem pudor, cria pseudônimos para deixar comentários (o blog, pelo menos, obriga que seja seu próprio leitor). Diverte-se no sofrimento ao inventar formas de agradecimento pelos textos. Não economiza elogios ao estilo. Estará perto da internação quando se convence de que aqueles comentários não são seus e ainda responde aos e-mails falsos. Hora do soro!
Escrever na rede é uma tentativa de suicídio, chamar atenção dos outros para a nossa carência. Um aviso escandaloso da nossa fragilidade. Pensando bem: publicar é um suicídio frustrado. Quando o ímpeto de sair da vida é usado para entender a própria vida e as dificuldades enfrentadas pelos demais autores.
Uma das virtudes do blog é sua provação. Agüentar os contratempos no osso. Ver que não é um elogio que o fará continuar, muito menos uma crítica que o fará desistir. Que nascer para a letra é amar a insuficiência. O escritor se sucede progressivamente. Melhora. Estar sozinho é ainda estar povoado. Povoado por dentro. Pelos personagens, pelas histórias familiares, pela observação aprofundada dos seus arredores. Só quem foi fantasma um dia poderá alimentar seus fantasmas. Procura-se um reconhecimento externo e encontra-se algo mais preciso: a afirmação pessoal na persistência. Procura-se lá fora o que já se tinha. Como diz Santo Agostinho: "Tarde Vos amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei! Eis que habitáveis dentro de mim."
O esforço de sair da solidão ajuda curiosamente a fortalecê-la. Compreende que não escreve para completar um diário, ou para repetir sua história, se fosse assim não contaria com assunto para atualização semanal, mesmo que desfrutasse uma trajetória acidentada e heróica como a de Hemingway. Escreve para duvidar e se banhar na luminosidade da confusão biográfica.
Um texto postado é como um texto impresso. Mais fácil para localizar os erros, os tropeços, formar distanciamento. Confere uma maioridade na escrita, reforça uma postura profissional de jardinar e cuidar do verbo, de alterar a prosa e a poesia em nome da transparência e da fluidez. Há a formação gradual de uma assinatura, transmitindo uma visão de ser responsável por aquilo que se diz, de assumir honestamente as dívidas da boca. Organiza-se o rascunho, que é bem mais duro do que redigi-lo.
Não é fácil a rotina da blogosfera. Terá que superar vários fins, várias negativas, várias mortes. Superar a expectativa de fama pelo prazer do texto. Por isso, o prazer necessita ser mais forte do que a dor. O masoquista é o que gosta mais do sofrimento do que da carícia. O blogueiro é o que esquece a ferida pela alegria. A diferença entre guardar o inédito no blog e na gaveta: o blog é uma gaveta aberta.
Fabrício Carpinejar,
em O Estado de S.Paulo.
prosado em pavablog
Nunca invejei Santo Agostinho pela sua salvação. Não conseguiria repeti-lo. Guarda-se a impressão de que ele quis se livrar da danação no ombro do Pai. Olhando de perto, ele foi mais corajoso do que conformista. Antecipou o inferno. Não esperou para sofrer na outra dimensão. Pagou à vista o inferno. Converter não é encontrar Deus, é encontrar o inferno.
Blog é prova de resistência. Um big brother ao avesso dos gêneros literários. Em vez de ser conhecido, corresponde a mergulho no anonimato. Distinto da noção do senso comum de que se trata de um lugar para aparecer. O resultado final (a possível badalação de um endereço virtual) não expõe a realidade. Os exibidos foram antes tímidos, os extrovertidos foram antes introvertidos. É a mais dolorida experiência editorial. O mais severo teste vocacional. Uma ferramenta do diabo, capaz de sugar sua vida ou sua aspiração.
Indica a fronteira entre o amador e o escritor, entre o diletante e o renitente, entre o curioso e quem não consegue se afastar da compulsão narrativa. O amador cansará nos primeiros meses. Vai deduzir que não vale a pena o trabalho, que ninguém lê. Uma tortura postar textos durante três meses e não receber nenhum comentário. São os 40 dias do deserto, com as tentações sobrevoando o teclado. "Então Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo demônio e, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, teve fome" (Evangelho de Mateus, capítulo 4, versículo 1).
Você pensou que aquilo seria a glória instantânea. Caprichou na redação, no humor e nas perspectivas singulares de captura do cotidiano. Mas o único que entra no site é você. Chega a esbarrar consigo entre tantos acessos e atualizações. Uma miragem. Cada texto é um quarto vago. Procura contornar o drama. Manda um aviso de postagens para os amigos; manda um aviso de postagens para os desconhecidos, catando endereços aleatórios. Nada mais o separa de um Spam. Recebe avisos ásperos: "não o conheço" ou "favor me excluir da lista". A humilhação não começou. O desespero o obriga a fazer atos impensáveis: entrar de computadores diversos para fazer com que o contador se mexa de alguma forma. Assim como um atacante chuta a bola para as redes alheio à marcação do impedimento. Para se livrar do azar. Ainda que esteja quebrando uma das regras básicas do jogo e leve um cartão amarelo. Não há nem juiz para lhe dar cartão amarelo.
Percebe que lançou um texto com um erro gravíssimo de português. Estava na rua quando lembrou a indecisão ortográfica, longe de qualquer terminal. Corre para uma lan house, consome seu suspiro sem sentir o gosto, arruma e conclui que tampouco alguém reparou.
Decide escrever qualquer coisa que continuará sendo qualquer coisa. O isolamento do blog produz alucinações. O contador de visitas parece uma bomba-relógio: anda para trás. Mas tortura é quando finalmente recebe um comentário. Alegria aflita para abrir a janela, quem será? quem será?, descobre que partiu do pai ou da mãe, solidário com sua desgraça.
Sua personalidade passará a se dividir, e não multiplicar como desejava. Sede de laranjas. Laranjas! Sem pudor, cria pseudônimos para deixar comentários (o blog, pelo menos, obriga que seja seu próprio leitor). Diverte-se no sofrimento ao inventar formas de agradecimento pelos textos. Não economiza elogios ao estilo. Estará perto da internação quando se convence de que aqueles comentários não são seus e ainda responde aos e-mails falsos. Hora do soro!
Escrever na rede é uma tentativa de suicídio, chamar atenção dos outros para a nossa carência. Um aviso escandaloso da nossa fragilidade. Pensando bem: publicar é um suicídio frustrado. Quando o ímpeto de sair da vida é usado para entender a própria vida e as dificuldades enfrentadas pelos demais autores.
Uma das virtudes do blog é sua provação. Agüentar os contratempos no osso. Ver que não é um elogio que o fará continuar, muito menos uma crítica que o fará desistir. Que nascer para a letra é amar a insuficiência. O escritor se sucede progressivamente. Melhora. Estar sozinho é ainda estar povoado. Povoado por dentro. Pelos personagens, pelas histórias familiares, pela observação aprofundada dos seus arredores. Só quem foi fantasma um dia poderá alimentar seus fantasmas. Procura-se um reconhecimento externo e encontra-se algo mais preciso: a afirmação pessoal na persistência. Procura-se lá fora o que já se tinha. Como diz Santo Agostinho: "Tarde Vos amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei! Eis que habitáveis dentro de mim."
O esforço de sair da solidão ajuda curiosamente a fortalecê-la. Compreende que não escreve para completar um diário, ou para repetir sua história, se fosse assim não contaria com assunto para atualização semanal, mesmo que desfrutasse uma trajetória acidentada e heróica como a de Hemingway. Escreve para duvidar e se banhar na luminosidade da confusão biográfica.
Um texto postado é como um texto impresso. Mais fácil para localizar os erros, os tropeços, formar distanciamento. Confere uma maioridade na escrita, reforça uma postura profissional de jardinar e cuidar do verbo, de alterar a prosa e a poesia em nome da transparência e da fluidez. Há a formação gradual de uma assinatura, transmitindo uma visão de ser responsável por aquilo que se diz, de assumir honestamente as dívidas da boca. Organiza-se o rascunho, que é bem mais duro do que redigi-lo.
Não é fácil a rotina da blogosfera. Terá que superar vários fins, várias negativas, várias mortes. Superar a expectativa de fama pelo prazer do texto. Por isso, o prazer necessita ser mais forte do que a dor. O masoquista é o que gosta mais do sofrimento do que da carícia. O blogueiro é o que esquece a ferida pela alegria. A diferença entre guardar o inédito no blog e na gaveta: o blog é uma gaveta aberta.
Fabrício Carpinejar,
em O Estado de S.Paulo.
prosado em pavablog
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Segunda Versão: Ricardo Soares sobre o Bernardinho
Nunca vi ninguém ir na contra mão na publicidade que a mídia faz em cima do Bernardinho, o nosso exemplo maior de vitória. tá aqui sujeito corajoso.
Com vocês Ricardo Soares:
"Num post ele manda: ...além de ser a antítese do carioca que seu sotaque não nega Bernardinho é tudo aquilo que eu jamais quis ser. Competitivo, estressado, criador de clichês e frases feitas, metido a bom moço, histérico, sem senso de ridículo e consultor de auto- ajuda e "sucesso pessoal". Enfim , um entojo completo vendido como bem sucedido. Bernardinho , o bobalhão em busca de resultados, é um perfeito garoto -propaganda da cultura de mercado. Pior e mais insosso e patético do que ele só mesmo Roberto Justus essa bolha de vento com cara de incontinência urinária. "
http://todoprosa.blogspot.com/2008/06/bernardinho-mala-oriental.html"
Bernardinho Mala oriental
num outro ele manda...
"Nunca gostei de Bernardinho , técnico da seleção brasileira de vôlei. Até aí morreu Neves visto que milhares de pessoas nesse país o acham o máximo. Chamam-no de vencedor, um realizador ,um guerreiro e outras baboseiras que a mídia triunfalista cola na imagem desse mauricinho narcisista com traços de autoritarismo mais que evidentes. No Brasil vencer - seja a que preço for - é o que interessa. Já que Bernardinho- Mauricinho vence então deixa ele não ter senso de humor, deixa ele regurgitar lições banais de auto- ajuda ,deixa ele gritar,deixa ele posar de imperador do vôlei com aquela expressão seríssima de quem descobriu a cura da Aids. "
link. Bernardinho essa mala
Com vocês Ricardo Soares:
"Num post ele manda: ...além de ser a antítese do carioca que seu sotaque não nega Bernardinho é tudo aquilo que eu jamais quis ser. Competitivo, estressado, criador de clichês e frases feitas, metido a bom moço, histérico, sem senso de ridículo e consultor de auto- ajuda e "sucesso pessoal". Enfim , um entojo completo vendido como bem sucedido. Bernardinho , o bobalhão em busca de resultados, é um perfeito garoto -propaganda da cultura de mercado. Pior e mais insosso e patético do que ele só mesmo Roberto Justus essa bolha de vento com cara de incontinência urinária. "
http://todoprosa.blogspot.com/2008/06/bernardinho-mala-oriental.html"
Bernardinho Mala oriental
num outro ele manda...
"Nunca gostei de Bernardinho , técnico da seleção brasileira de vôlei. Até aí morreu Neves visto que milhares de pessoas nesse país o acham o máximo. Chamam-no de vencedor, um realizador ,um guerreiro e outras baboseiras que a mídia triunfalista cola na imagem desse mauricinho narcisista com traços de autoritarismo mais que evidentes. No Brasil vencer - seja a que preço for - é o que interessa. Já que Bernardinho- Mauricinho vence então deixa ele não ter senso de humor, deixa ele regurgitar lições banais de auto- ajuda ,deixa ele gritar,deixa ele posar de imperador do vôlei com aquela expressão seríssima de quem descobriu a cura da Aids. "
link. Bernardinho essa mala
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Carta aberta
Uma carta aberta a Ana Paula Valadão do Sérgio Pavarini
Querida Ana Paula,
“Aquilo que a memória amou fica eterno”, compôs a poeta Adélia Prado. Perscruto os escaninhos da memória e descubro meu sobrinho mal sabendo falar, mas já cantando “Se tu olhares, Senhor, pra dentro de mim”. Alguns anos se passaram e a voz do Henrique continua doce e infantil. Ao olhar para sua trajetória no período, as mudanças foram bem mais sensíveis e um tanto esquisitas, Ana. Pode seguir a tua estrela. O teu brinquedo de 'star'.
Fui um dos primeiros blogueiros a divulgar sua performance leonina em Anápolis (GO). Como apregoa o jornalismo sadio, escrevi para os amigos do Diante do Trono a fim de abrir espaço para uma eventual manifestação sua. Eles me agradeceram com a costumeira fidalguia e fizeram chegar a você a informação. Sem obter qualquer tipo de resposta, postei o vídeo. Não me arrependi, como aconteceu com outro rapaz. Até hoje o fogo da discussão permanece aceso e mesmo seus fãs mais entusiasmados coram ao relembrar a cena patética.
Pra que usar de tanta educação. Pra destilar terceiras intenções. Seu silêncio sobre o assunto durou cerca de seis meses. Em meio a uma logorréia nonsense, você creditou a Deus a responsabilidade da patacoada. Infelizmente, os resultados mostraram que o animal da tal unção estava mais para hiena do que leão, tal o nível das piadas e deboches que se seguiram.
Fiz outras visitas ao seu blog e cada dia me assustava mais com o que lia. Até mesmo atos prosaicos como escolher uma roupa eram atribuídos ao Espírito “fashion” Santo. O cinto preto largo representava autoridade e botas pretas transmitiriam “força, poder, autoridade e conforto necessário para pular e pisar com força, profeticamente, na cabeça do diabo”. Examinei meu guarda-roupa e, decepcionado, nada encontrei de “profético”. Inspirado por seus delírios, imaginei os pastores da Universal vestidos de caubóis nas sessões de descarrego. Aiôôô... Espora no capiroto, irmãos! Pequenas poções de ilusão.
Congresso do Diante do Trono. Litros de chororô e muito siri-canta-na-lagoa, perdão, na Lagoinha. Aliás, ainda não consegui entender o porquê de tantas palavras estranhas em línguas (a ordem pouco importa, no caso) nos eventos públicos. Se contrariar a instrução paulina sobre esse assunto fosse estratagema eficaz, dona Sonia Hernandes estaria livremente batendo suas canelas episcopais em solo verde-amarelo. E sem a tornozeleira com GPS. Quem sabe eu ainda sou uma garotinha...
“Os teatros serão fechadas para peças evangelísticas... O Senhor fará novelas para o povo brasileiro... Cairá todo meio de comunicação que não glorifica o Senhor...” Socorro, Ana Paula! Isso foi ato profético ou visão de um dos círculos do Inferno de Dante? Tô cansado de tanta caretice, tanta babaquice. Desta eterna falta do que falar. Deus nos livre de Racine, Beckett e Molière serem substituídos pela trupe gospel. Proscênio não é picadeiro, com todo respeito aos artistas circenses.
Soube que rolou também a tal “unção do chulé”. Em vez de incentivar o serviço humilde, o ato foi criativamente entremeado por afirmações de que você e seu irmão seriam “curados” das críticas. No final da mis-en-scène burlesca, a água do “rio de Deus” foi jogada sobre os espectadores. Bobeira é não viver a realidade.
Infelizmente, o espaço nobre de que disponho aqui é inversamente proporcional à sua capacidade de protagonizar episódios bizarros. Você explicou que apareceu num programa brega de óculos escuros por causa de conjuntivite. Pela sucessão de “causos”, suponho que seja miopia crônica mesmo. Vide o lance da morte do fundador do Bloco Galo da Madrugada. Temo pelo futuro das reuniões de oração no país se você continuar a repetir que essas sandices são resultado de intercessão. O que me anima é ver o número crescente de pessoas discutindo bereanamente cada uma dessas ocorrências. Estamos meu bem por um triz pro dia nascer feliz.
Que Deus reavive em você o desejo de receber um “novo coração”. Quem teve a graça de ser aquinhoada com muitos talentos será intensamente cobrada, não é? Isso me motiva a interceder para que não se realizem em sua vida outros versos do poeta Agenor: O seu futuro é duvidoso; eu vejo grana, eu vejo dor. Minhas palavras podem parecer histriônicas, mas é genuíno meu desejo de ver águas purificadoras (ainda mais que as do Lete) banhando ministérios de música em todo o país, Ana. Tenho investido minha vida nesse intento, por isso jamais vou me calar, querida. Amando eu me acalmo e me desespero.
Big abraço
PS.: As preferências musicais do Henrique mudaram bastante. Hoje ele curte Akon, Boyz II Men e Queen. Prometi um CD do Cazuza para o espertíssimo garoto.
texto p/ o site Cristianismo criativo e p/ a próxima edição da revista Cristianismo Hoje.
Querida Ana Paula,
“Aquilo que a memória amou fica eterno”, compôs a poeta Adélia Prado. Perscruto os escaninhos da memória e descubro meu sobrinho mal sabendo falar, mas já cantando “Se tu olhares, Senhor, pra dentro de mim”. Alguns anos se passaram e a voz do Henrique continua doce e infantil. Ao olhar para sua trajetória no período, as mudanças foram bem mais sensíveis e um tanto esquisitas, Ana. Pode seguir a tua estrela. O teu brinquedo de 'star'.
Fui um dos primeiros blogueiros a divulgar sua performance leonina em Anápolis (GO). Como apregoa o jornalismo sadio, escrevi para os amigos do Diante do Trono a fim de abrir espaço para uma eventual manifestação sua. Eles me agradeceram com a costumeira fidalguia e fizeram chegar a você a informação. Sem obter qualquer tipo de resposta, postei o vídeo. Não me arrependi, como aconteceu com outro rapaz. Até hoje o fogo da discussão permanece aceso e mesmo seus fãs mais entusiasmados coram ao relembrar a cena patética.
Pra que usar de tanta educação. Pra destilar terceiras intenções. Seu silêncio sobre o assunto durou cerca de seis meses. Em meio a uma logorréia nonsense, você creditou a Deus a responsabilidade da patacoada. Infelizmente, os resultados mostraram que o animal da tal unção estava mais para hiena do que leão, tal o nível das piadas e deboches que se seguiram.
Fiz outras visitas ao seu blog e cada dia me assustava mais com o que lia. Até mesmo atos prosaicos como escolher uma roupa eram atribuídos ao Espírito “fashion” Santo. O cinto preto largo representava autoridade e botas pretas transmitiriam “força, poder, autoridade e conforto necessário para pular e pisar com força, profeticamente, na cabeça do diabo”. Examinei meu guarda-roupa e, decepcionado, nada encontrei de “profético”. Inspirado por seus delírios, imaginei os pastores da Universal vestidos de caubóis nas sessões de descarrego. Aiôôô... Espora no capiroto, irmãos! Pequenas poções de ilusão.
Congresso do Diante do Trono. Litros de chororô e muito siri-canta-na-lagoa, perdão, na Lagoinha. Aliás, ainda não consegui entender o porquê de tantas palavras estranhas em línguas (a ordem pouco importa, no caso) nos eventos públicos. Se contrariar a instrução paulina sobre esse assunto fosse estratagema eficaz, dona Sonia Hernandes estaria livremente batendo suas canelas episcopais em solo verde-amarelo. E sem a tornozeleira com GPS. Quem sabe eu ainda sou uma garotinha...
“Os teatros serão fechadas para peças evangelísticas... O Senhor fará novelas para o povo brasileiro... Cairá todo meio de comunicação que não glorifica o Senhor...” Socorro, Ana Paula! Isso foi ato profético ou visão de um dos círculos do Inferno de Dante? Tô cansado de tanta caretice, tanta babaquice. Desta eterna falta do que falar. Deus nos livre de Racine, Beckett e Molière serem substituídos pela trupe gospel. Proscênio não é picadeiro, com todo respeito aos artistas circenses.
Soube que rolou também a tal “unção do chulé”. Em vez de incentivar o serviço humilde, o ato foi criativamente entremeado por afirmações de que você e seu irmão seriam “curados” das críticas. No final da mis-en-scène burlesca, a água do “rio de Deus” foi jogada sobre os espectadores. Bobeira é não viver a realidade.
Infelizmente, o espaço nobre de que disponho aqui é inversamente proporcional à sua capacidade de protagonizar episódios bizarros. Você explicou que apareceu num programa brega de óculos escuros por causa de conjuntivite. Pela sucessão de “causos”, suponho que seja miopia crônica mesmo. Vide o lance da morte do fundador do Bloco Galo da Madrugada. Temo pelo futuro das reuniões de oração no país se você continuar a repetir que essas sandices são resultado de intercessão. O que me anima é ver o número crescente de pessoas discutindo bereanamente cada uma dessas ocorrências. Estamos meu bem por um triz pro dia nascer feliz.
Que Deus reavive em você o desejo de receber um “novo coração”. Quem teve a graça de ser aquinhoada com muitos talentos será intensamente cobrada, não é? Isso me motiva a interceder para que não se realizem em sua vida outros versos do poeta Agenor: O seu futuro é duvidoso; eu vejo grana, eu vejo dor. Minhas palavras podem parecer histriônicas, mas é genuíno meu desejo de ver águas purificadoras (ainda mais que as do Lete) banhando ministérios de música em todo o país, Ana. Tenho investido minha vida nesse intento, por isso jamais vou me calar, querida. Amando eu me acalmo e me desespero.
Big abraço
PS.: As preferências musicais do Henrique mudaram bastante. Hoje ele curte Akon, Boyz II Men e Queen. Prometi um CD do Cazuza para o espertíssimo garoto.
texto p/ o site Cristianismo criativo e p/ a próxima edição da revista Cristianismo Hoje.
domingo, 6 de julho de 2008
Para Crêr: Jesus que fazia pensar
Jesus lançou questões à humanidade sem esperar uma resposta específica, tudo com o objetivo de nos fazer pensar.
Há muita preocupação nos pregadeiros modernos em dar respostas que não têm. Seria melhor, ao invés de dar-nos argumentos mal elaborados, que plantassem perguntas para afastar as nossas mentes de seus confortáveis universos.
Afirmo: não estou a incentivar dúvidas pertubadoras sem respostas. Penso que questões nos leva ao crescimento. Se continuarmos a receber tudo regurgitado, nossas mentes virarão um amontoado de miolos acostumados a aceitar sem processar, filtrar ou questionar. Perderemos a capacidade do discernimento. Pense como algumas coisas que estão sendo faladas em cima de tribunas, já não ultrapassaram há tempos barreiras de coerência e sanidade.
Há muita preocupação nos pregadeiros modernos em dar respostas que não têm. Seria melhor, ao invés de dar-nos argumentos mal elaborados, que plantassem perguntas para afastar as nossas mentes de seus confortáveis universos.
Afirmo: não estou a incentivar dúvidas pertubadoras sem respostas. Penso que questões nos leva ao crescimento. Se continuarmos a receber tudo regurgitado, nossas mentes virarão um amontoado de miolos acostumados a aceitar sem processar, filtrar ou questionar. Perderemos a capacidade do discernimento. Pense como algumas coisas que estão sendo faladas em cima de tribunas, já não ultrapassaram há tempos barreiras de coerência e sanidade.
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Jesus e Sócrates já eram considerados pessoas enigamáticas no tempo em que viveram. Nenhum dos dois deixou registro escrito de suas idéias. Assim, não nos resta outra saída senão confiar na imagem deles que nos foi legada por seus discípulos. Uma coisa, porém, é certa: ambos eram mestres da retórica. Além disso, ambos tinham tanta autoconfiança no que diziam que podiam tanto arrebatar quanto irritar seus ouvintes. Para completar, ambos acreditavam falar em nome de uma coisa que era maior que eles mesmos. Eles desafiavam os que detinham poder na sociedade porque criticavam todas as formas de injustiça e de abuso de poder. No fim, esta forma de agir lhes custou a vida.
Não sou daqueles que tendem a comparar os ensinamentos de Jesus com revoluções e revoltas mas, é indiscutível que sua forma de agir influenciou não só os pobres e anônimos, como também o poder e seus representantes.
E tudo o que Ele fez: lançou perguntas. Estas batiam de frente com sistemas, dogmas e preconceitos e abriam a mente para o pensar.
O que te causa mais impacto: dizer que é necessário ser bom com o próximo, ou perguntar o que você tem feito pelo próximo? A primeira é o óbvio assimilado por osmose, a segunda é a que te expõe, que te coloca diante da situação. Portanto, amigos, deixemos de dizer como as coisas são e comecemos a perguntar como elas devem ser.
Não sou daqueles que tendem a comparar os ensinamentos de Jesus com revoluções e revoltas mas, é indiscutível que sua forma de agir influenciou não só os pobres e anônimos, como também o poder e seus representantes.
E tudo o que Ele fez: lançou perguntas. Estas batiam de frente com sistemas, dogmas e preconceitos e abriam a mente para o pensar.
O que te causa mais impacto: dizer que é necessário ser bom com o próximo, ou perguntar o que você tem feito pelo próximo? A primeira é o óbvio assimilado por osmose, a segunda é a que te expõe, que te coloca diante da situação. Portanto, amigos, deixemos de dizer como as coisas são e comecemos a perguntar como elas devem ser.
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fonte Livraria do Thiago
domingo, 8 de junho de 2008
terça-feira, 27 de maio de 2008
Sobre livros
dica de blog que propõe algumas discussões interessantes.
http://zonadareforma.blogspot.com
Aqui vai uma...
Livros: melhor não lê-los. Mas, se não lemos, como sabemos?
http://zonadareforma.blogspot.com
Aqui vai uma...
Livros: melhor não lê-los. Mas, se não lemos, como sabemos?
segunda-feira, 26 de maio de 2008
alysson amorim
Eu conheci o blog de alysson amorim no post da despedida... uma pena. estaria na lista dos bons blogs para prosar, com bom conteúdo, boa música, boas dicas...
Assim começa o blog...
Assim começa o blog...
"Se nos empregamos assiduamente não só na contemplação estética mas também na expressão dos seus modos e resultados, é que a prosa ou o verso que escrevemos, destituídos de vontade de querer convencer o alheio entendimento ou mover a alheia vontade, é apenas como o falar alto de quem lê, feito para dar plena objectividade ao prazer subjectivo da leitura."
Fernando Pessoa
sábado, 17 de maio de 2008
Será óptima?
Entre os muitos aprendizados que a universidade me proporcionou, aprendi que o meu nome Laércio é com acento no “e” porque toda palavra paroxítona terminada com ditongo é acentuada. Agora que o parlamento português aprovou o acordo ortográfico que beneficia em muito o mercado editorial brasileiro, diga-se de passagem, não sei como fica o meu nome nessa história. Ou como vai ficar toda essa regra com os ditongos e paroxítonas da nossa língua portuguesa. Confesso que nunca sou muito adepto dessas regras, acho muito complicado e ignoro muita coisa e, como já disse descobri a razão do meu acento agudo só na universidade.
Acho que uma coisa óptima (como vão deixar de escrever os portugueses) que esse acordo poderia trazer é o fim, ou pelo menos a clareza do uso da crase.
Uma outra versão dessa mudança ortográfica é a de outros países de língua portuguesa que são desconsiderados, como Angola por exemplo, que como lembra o blog Angola, Debates & Ideias, os países da Africa nada ganham com o uso da língua portuguesa.
A bem da verdade esse acordo tem como maior beneficiário editoras que tem interesse de no mercado editorial dos dois países.
Eu não sei quem mais se beneficiará portugueses ou brasileiros, mas é significativo que esse acordo venha acontecer no ano de 1808, 200 anos depois da coroa ter vindo pra cá, e garantido que todo esse território falasse o bom português.
quarta-feira, 7 de maio de 2008
As Ronaldetes
Travestis negam ter feito sexo ou usado drogas com o fenômeno

Então, o que eles fizeram durante três horas? Vejam algumas das "atividades" no motel:
- Jogaram War
- Brincaram de casinha
- Ficaram assistindo ao desenho erótico das Superpoderosas
- Brincaram de médico
- Discutiram a elevação do Brasil para "país sério" pela Standard & Poors
- Foram só esvaziar o frigobar e usar aquelas sandálias ridículas de motel
- Jogaram buraco até o amanhecer
- Brincaram de espadas
prosado no do site http://www.correiobraziliense.com.br/blog/blogaodoze/
sexta-feira, 2 de maio de 2008
o que é a vida
"Existem apenas duas maneiras de ver a vida. Uma é pensar que não existem milagres e a outra é que tudo é um milagre." (Albert Einstein)
"Navegar é preciso, viver não é preciso." (Fernando Pessoa)
“A vida é trabalho.” (Karl Marx)
“A vida é trabalho.” (Henry Ford)
“Viver é sofrer.” (Arthur Schopenhauer)
"O mundo está nas mãos daqueles que tem coragem de sonhar e correr o risco deviver seus sonhos." (Paulo Coelho)
"O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher." (Cora Coralina)
"A vida é uma tragédia quando vista de perto, mas uma comédia quando vista de longe." (Charles Chaplin)
"Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe. ” (Oscar Wilde)
"Aprende a viver e saberás morrer bem." (Confúcio)
“A vida é um cabaret.” (Liza Minelli)
“A vida é uma peça de teatro; o que conta não é o enredo, mas o trabalho doator.” (Seneca)
“A vida é um violino, que você aprende a tocar – em público.” (Samuel Beckett)
"Eu sou o caminho, a verdade e a vida." (Jesus Cristo)
Afinal, o que é a vida?
prosado no blog certas palavras
"Navegar é preciso, viver não é preciso." (Fernando Pessoa)
“A vida é trabalho.” (Karl Marx)
“A vida é trabalho.” (Henry Ford)
“Viver é sofrer.” (Arthur Schopenhauer)
"O mundo está nas mãos daqueles que tem coragem de sonhar e correr o risco deviver seus sonhos." (Paulo Coelho)
"O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher." (Cora Coralina)
"A vida é uma tragédia quando vista de perto, mas uma comédia quando vista de longe." (Charles Chaplin)
"Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe. ” (Oscar Wilde)
"Aprende a viver e saberás morrer bem." (Confúcio)
“A vida é um cabaret.” (Liza Minelli)
“A vida é uma peça de teatro; o que conta não é o enredo, mas o trabalho doator.” (Seneca)
“A vida é um violino, que você aprende a tocar – em público.” (Samuel Beckett)
"Eu sou o caminho, a verdade e a vida." (Jesus Cristo)
Afinal, o que é a vida?
prosado no blog certas palavras
sexta-feira, 25 de abril de 2008
A palavra é...Madrasta
Coluna de Sérgio Rodrigues sobre a palavra madrasta, um ótimo site pra quem está cansado da mesmice e falta de criatividade do jornalismo.
A palavra é...Madrasta
A palavra madrasta está envolta em conotações negativas há tanto tempo que, pode-se argumentar, alguma elas devem ter aprontado. Além dos contos de fada, com Cinderela puxando a fila, ditos populares são testemunhas da antiguidade do problema. Rafael Bluteau, em seu dicionário do início do século 18, registrava os seguintes adágios portugueses: “Madrasta e enteada sempre andam em baralha” (isto é, em conflito, em joguinhos de intrigas); e o genialmente sucinto “Madrasta, o nome lhe basta”.
Bastará mesmo? Será que o sentido negativo já estava lá no momento da criação da palavra? Madrasta saiu do latim popular matrasta, de significado idêntico: a nova mulher do pai. Trata-se de uma das derivadas de mater, vinda por sua vez da imemorial raiz indo-européia matr-, ancestral tanto do sânscrito mata quanto do inglês mother. A idéia de mater, mãe, matriz, é tão vital na língua que aparece embutida em lugares inesperados – na matéria, por exemplo, ou na madeira. Mas a madrasta, afinal, tem ou não tem um lado escuro desde sua formação?
A maioria dos filólogos lava as mãos, mas Antenor Nascentes, nome clássico da etimologia brasileira, aposta que sim: segundo ele, a palavra latina nasceu como um “despectivo” – forma depreciativa, pejorativa – de mater. Para Nascentes, portanto, nada tem de fortuito o posterior surgimento, em português, da acepção de madrasta como “aquilo que, em vez de proteger, maltrata”, geralmente usada para qualificar a sorte, o destino.
Apesar de tudo isso, a madrasta má também é um estereótipo grosseiro e injusto, é claro. Em nossa época politicamente correta, está em curso um louvável trabalho para aliviar o termo de sua carga negativa. Qualquer que seja o resultado do julgamento a que deve ser submetida, Anna Carolina Jatobá já atrasou esse trabalho em pelo menos cinqüenta anos.
Publicado na “Revista da Semana”.
A palavra é...Madrasta
A palavra madrasta está envolta em conotações negativas há tanto tempo que, pode-se argumentar, alguma elas devem ter aprontado. Além dos contos de fada, com Cinderela puxando a fila, ditos populares são testemunhas da antiguidade do problema. Rafael Bluteau, em seu dicionário do início do século 18, registrava os seguintes adágios portugueses: “Madrasta e enteada sempre andam em baralha” (isto é, em conflito, em joguinhos de intrigas); e o genialmente sucinto “Madrasta, o nome lhe basta”.
Bastará mesmo? Será que o sentido negativo já estava lá no momento da criação da palavra? Madrasta saiu do latim popular matrasta, de significado idêntico: a nova mulher do pai. Trata-se de uma das derivadas de mater, vinda por sua vez da imemorial raiz indo-européia matr-, ancestral tanto do sânscrito mata quanto do inglês mother. A idéia de mater, mãe, matriz, é tão vital na língua que aparece embutida em lugares inesperados – na matéria, por exemplo, ou na madeira. Mas a madrasta, afinal, tem ou não tem um lado escuro desde sua formação?
A maioria dos filólogos lava as mãos, mas Antenor Nascentes, nome clássico da etimologia brasileira, aposta que sim: segundo ele, a palavra latina nasceu como um “despectivo” – forma depreciativa, pejorativa – de mater. Para Nascentes, portanto, nada tem de fortuito o posterior surgimento, em português, da acepção de madrasta como “aquilo que, em vez de proteger, maltrata”, geralmente usada para qualificar a sorte, o destino.
Apesar de tudo isso, a madrasta má também é um estereótipo grosseiro e injusto, é claro. Em nossa época politicamente correta, está em curso um louvável trabalho para aliviar o termo de sua carga negativa. Qualquer que seja o resultado do julgamento a que deve ser submetida, Anna Carolina Jatobá já atrasou esse trabalho em pelo menos cinqüenta anos.
Publicado na “Revista da Semana”.
domingo, 20 de abril de 2008
"A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida".
Dois escritores portugueses me fazem ter orgulho de ter nascido em terras onde se fala a última Flor do Lácio, cada um a seu modo. O primeiro é o nosso querido Fernando Pessoa que nos deixou pérolas em seu “Livro do desassossego” de heterônimo Bernardo Soares. Dando uma olhadela nessa obra encontrei a frase acima que me fez lembrar o nosso contemporâneo José Saramago. Em fins de 2002 querendo fugir um pouco da loucura de vestibulares abri o Ensaio sobre a Cegueira (que vai virar filme nas mãos de Fernando Meirelles) para ignorar aquela correria de provas e de fim de ano. Foi a mais agradável maneira de ignorar aquela loucura de vida.
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