quarta-feira, 24 de junho de 2009

Pagando bem...

Oh mundinho mediocre, mediocre e mediocre. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidi que não é crime pagar por sexo com menor.
Lembro-me de um texto que lia um dia desses (prometo procurar e postar por aqui) do Luiz Felipe Pondé em que ele sinalizava para o dia em pedofilia deixaria de ser crime. Estamos chegando lá, que Estado é esse em que crianças de 13 anos vendem sexo e esse mesmo Estado no poder do Juduciário decide que quem paga não é criminoso.

"Parem o mundo que eu quero descer..."

A Justiça é cega e não bate bem

Entre todos os três poderes, o Judiciário brasileiro é o mais complicado. O Executivo e o Legislativo, pelo menos, se submetem a diversos tipos de controle - quase todos falhos e pouco eficientes, é verdade. De qualquer jeito, é possível, de tempos em tempos, expurgar, mesmo que temporariamente, alguns de seus frutos mais podres. Em eleições, por exemplo, cabe a quem vota não reconduzir ao cargo quem não merece. Já com o Judiciário…

Pois o Superior Tribunal de Justiça decidiu que não é crime pagar por sexo com menores de idade. O processo, originalmente, é de Mato Grosso do Sul. E o STJ confirmou assim a decisão de instâncias inferiores. Os dois réus pagaram para fazer sexo em um motel com três adolescentes, de 12 e 13 anos. A alegação foi de que não há “crime de exploração sexual de menores por considerar que as adolescentes já eram prostitutas reconhecidas”.
Ou seja, para o STJ, vale fazer sexo com criança desde que ela receba por isso.

Prosado em
Luiz Antonio Ryff

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Sobre Pensar...

Pensar
Minha filha me fez uma pergunta: “O que é pensar?”. Disse-me que esta era uma pergunta que o professor de filosofia havia imposto à classe. Pelo que lhe dou os parabéns. Primeiro, por ter ido diretamente à questão essencial. Segundo, por ter tido a sabedoria de fazer a pergunta, sem dar a resposta. Porque se tivesse dado a resposta, teria com ela cortado as asas do pensamento. O pensamento é como a águia que só alça vôo nos espaços vazios do desconhecido. Pensar é voar sobre o que não se sabe. Não existe nada mais fatal para o pensamento que o ensino das respostas certas. Para isso existem as escolas: não para ensinar as respostas, mas para ensinar as perguntas. As respostas nos permitem andar sobre a terra firme. Mas somente as perguntas nos permitem entrar pelo mar desconhecido.

E, no entanto, não podemos viver sem respostas. As asas, para o impulso inicial do vôo, dependem dos pés apoiados na terra firme. Os pássaros, antes de saber voar, aprendem a se apoiar sobre os seus pés. Também as crianças, antes de aprender a voar têm de aprender a caminhar sobre a terra firme.

Terra firme: as milhares de perguntas para as quais as gerações passadas já descobriram as respostas. O primeiro momento da educação é a transmissão desse saber. Nas palavras de Roland Barthes: “Há um momento em que se ensina o que se sabe…” E o curioso é que este aprendizado é justamente para nos poupar da necessidade de pensar.

As gerações mais velhas ensinam às mais novas as receitas que funcionam. Sei amarrar os meus sapatos, automaticamente, sei dar o nó na minha gravata automaticamente: as mãos fazem o trabalho com destreza enquanto as idéias andam por outros lugares. Aquilo que um dia eu não sabia me foi ensinado; eu aprendi com o corpo e esqueci com a cabeça. E a condição para que as minhas mãos saibam bem é que a cabeça não pense sobre o que elas estão fazendo. Um pianista que, na hora da execução, pensa sobre os caminhos que seus dedos deverão seguir, tropeçará fatalmente. Há a história de uma centopéia que andava feliz pelo jardim, quando foi interpelada por um grilo: “Dona centopéia, sempre tive a curiosidade sobre uma coisa: quando a senhora anda, qual, dentre as suas cem pernas, é aquela que a senhora movimenta primeiro?”. “Curioso”, ela respondeu. “Sempre andei, mas nunca me propus esta questão. Da próxima vez, prestarei atenção”. Termina a história dizendo que a centopéia nunca mais voltou a andar.

Todo mundo fala, e fala bem. Ninguém sabe como a linguagem foi ensinada e nem como ela foi aprendida. A despeito disso, o ensino foi tão eficiente que não preciso pensar em falar. Ao falar, não sei se estou usando um substantivo, um verbo ou um adjetivo, e nem me lembro das regras da gramática. Quem, para falar, tem que se lembrar dessas coisas, não sabe falar. Há um nível de aprendizado em que o pensamento é um estorvo. Só se sabe bem com o corpo aquilo que a cabeça esqueceu. E assim escrevemos, lemos, andamos de bicicleta, nadamos, pregamos prego, guiamos carros: sem saber com a cabeça, porque o corpo sabe melhor. É um conhecimento que se tornou parte inconsciente de mim mesmo. E isso me poupa do trabalho de pensar o já sabido. Ensinar, aqui, é inconscientizar.

O sabido é o não pensado, que fica guardado, pronto para ser usado como receita, na memória deste computador que se chama cérebro. Basta apertar a tecla adequada para que a receita apareça no vídeo da consciência. Aperto a tecla moqueca. A receita aparecerá no meu vídeo cerebral: panela de barro, azeite, peixe, tomate, cebola, coentro, cheiro-verde, urucum, sal, pimenta, seguidos de uma série de instruções sobre o que fazer.

Não é coisa que eu tenha inventado. Me foi ensinado. Não precisei pensar. Gostei. Foi para a memória. Esta é a regra fundamental desse computador que vive no corpo humano: só vai para a memória aquilo que é objeto do desejo. A tarefa primordial do professor: seduzir o aluno para que ele deseje e, desejando, aprenda.

E o saber fica memorizado de cor – etimologicamente, no coração -, à espera de que o teclado desejo de novo o chame de seu lugar de esquecimento.

Memória: um saber que o passado sedimentou. Indispensável para se repetir as receitas que os mortos nos legaram. E elas são boas. Tão boas que nos fazem esquecer que é preciso voar. Permitem que andemos pelas trilhas batidas. Mas nada têm a dizer sobre os mares desconhecidos. Muitas pessoas, de tanto repetir as receitas, metamorfosearam-se de águias em tartarugas. E não são poucas as tartarugas que possuem diplomas universitários. Aqui se encontra o perigo das escolas: de tanto ensinar o que o passado legou – e ensinou bem – fazem os alunos se esquecer de que o seu destino não é passado cristalizado em saber, mas um futuro que se abre como vazio, um não-saber que somente pode ser explorado com as asas do pensamento. Compreende-se então, que Barthes tenha dito que, seguindo-se ao tempo em que se ensina o que se sabe, deve chegar o tempo em que se ensina o que não se sabe.

Rubem Alves
retirado do blog não oficial do autor http://rubemalves.wordpress.com/

sexta-feira, 19 de junho de 2009

País é o que mais desperdiça aula com bronca

Docentes de escolas no Brasil gastam 18% do tempo das classes para manter disciplina; pesquisa abrangeu 23 países

Bulgária é o país onde os professores conseguem aproveitar melhor o tempo das aulas, seguido por Estônia e Hungria

A fala do presidente Confederação Nacional de Trabalhadores em Educação, Roberto de Leão

"...é fato que muito do tempo do professor é roubado por tarefas que não deveriam ser dele. Ele precisa muitas vezes fazer a função de psicólogo, pai ou assistente social, já que todos os problemas sociais acabam convergindo para a escola."

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Anne Frank

















Amanhã, 12 de Junho, ela faria 80 anos, mas se tornou uma das vitimas do Holocausto e morreu aos 15 anos de Tifo no campo de concentração em Bergen-Belsen em 1945.

Falo de Anne Frank que escreveu em um diário suas dúvidas, intrigas e medos de adolescente, como se escreve em um blog nos dias de hoje; não bem como em um blog, porque escrevia para um único confidente, o seu diário; não escrevia para ser lida escrevia em tom de desabafo para ser compreendida pelo diário a quem dera o nome de Kitty. Compreendida nem tanto como judia, mas mais como adolescente com as suas birras, mudanças comportamentais, teimas e dúvidas sobre a vida que a cercava. Escrevia em Amsterdã, na Holanda, escondida num anexo secreto do escritório de sua família.

Em comemoração a data a instituição Anne Frank Trust-UK, da Grã-Bretanha, divulgou uma fotografia de como seria a aparência dela se tivesse sobrevivido ao século XX.

http://www.annefrank.org.uk/

imagem tirado do portal Terra

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Genealogia resumida do Príncipe D. Pedro Luiz:

Genealogia resumida do Príncipe D. Pedro Luiz, morto no acidente de avião em Junho de 2009:

D. João VI, Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (1767-1826)
D. Pedro I, Imperador do Brasil (1798-1834)
D. Pedro II, Imperador do Brasil (1825-1891)
D. Isabel, a Redentora (1846-1921)
D. Luiz de Orleans e Bragança (1878-1920)
D. Pedro Henrique de Orleans e Bragança (1909-1981)
D. Luiz de Orleans e Bragança, atual Chefe da Casa Imperial do Brasil (1938)
D. Bertrand de Orleans e Bragança, atual Príncipe Imperial do Brasil (1941)
D. Antônio de Orleans e Bragança, atual Príncipe do Brasil (1950) e pai de D. Pedro Luiz
D. Pedro Luiz de Orleans e Bragança, Príncipe do Brasil (1983 – 2009)

prosado no blog http://causamonarquica.wordpress.com/2009/06/03/sar-principe-dom-pedro-luiz-maria-jose-miguel-gabriel-rafael-gonzaga-de-orleans-e-braganca/

Sobre os 200 anos da chegada da família real (flash)

Link especial sobre os 200 anos da chegada da família real

Há exatos 200 anos, a Corte portuguesa aportava no Rio de Janeiro. Conheça os personagens deste marco histórico e leia análises sobre seu impacto

http://www.estadao.com.br/especiais/200-anos-da-chegada-da-familia-real,13805.htm

sábado, 25 de abril de 2009

biblioteca mundial digital da UNESCO

A Biblioteca Digital Mundial da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), permite, gratuitamente, a consulta de acervo de grandes bibliotecas e instituições culturais de inúmeros países, entre eles o Brasil.

http://www.wdl.org/

DEUS É FIEL

Futebol, contingência e o Divino

Ricardo Gondim

Sou torcedor não fanático, mas devoto, do maior e melhor time do Brasil, o Corinthians. Dedico ao Timão alguns superlativos: eficientíssimo, grandessíssimo, gloriosíssimo. Não há como negar, o meu clube é tão especial que nem os lugares-comuns distoam: “a única esquadra que não tem torcida, mas uma nação”; “exemplo de desorganização que sempre dá certo”; “quem melhor representa o espírito maloqueiro nacional”; “encarnação de perseverança e fidelidade”; “não somos uma arquibancada, mas os Gaviões da Fiel”.

Futebol tem poucas regras, não requer equipamentos sofisticados (os pobres fazem bolas estofando meias velhas) e pode ser jogado em qualquer terreno. Em seus primórdios, era tão sofisticado quanto o golfe nos dias atuais; no Brasil, apelidaram-no de futebol society porque atraia a burguesia. Hoje, mexe com o povão. Mas o que existe nele que nos enferma de paixão? Qual a mágica do jogo para extasiar multidões, de intelectuais a analfabetos?

Simples! Imprevisibilidade. No futebol, só se conhece o resultado de uma partida depois que o juiz apita o fim. A qualquer instante o impensável pode acontecer. E nem sempre o mais forte ganha. A famosa zebra existe, e vez por outra arruína com os prognósticos mais precisos. Quando duas equipes entram em campo, uma displicência pode alterar definitivamente o placar final. Se logo no início, o mais fraco marcar um gol, basta que fique na retranca, e por mais que o adversário tente não consegue reverter o escore.

Onde fica a relação do futebol com Deus? Na questão da imprevisibilidade. Deus tem ou não tudo sob controle? Se tem, o campeonato estadual, a qualificação para a próxima Copa do Mundo e o capitão que vai erguer o Caneco estão sob seu absoluto domínio. Acontece que ninguém de sã consciência concebe que oração, mandinga, sinal da cruz e despacho em encruzilhada sejam eficazes para direcionar o que acontece dentro das quatro linhas do relvado (se macumba ganhasse campeonato, o da Bahia terminaria empatado).

Exatamente! O magnífico do futebol são os acidentes de percurso. Em filosofia, acidente de percurso chama-se contingência. Contingência, portanto, é aquilo que é ou pode ser, mas não é necessário. Em outras palavras, não existe causa ou razão para que determinado evento aconteça. Um gol do Corinthians aos 48 minutos do segundo tempo, que o classificou para a final pode ter sido apenas um acaso. E nenhuma divindade, por mais poderosa e soberana que seja, necessita ser reivindicada para explicar o golaço – motivo da alegria para uma Nação, mas de infelicidade para os adversários.

Basta que se mantenha a lógica. Se em uma trivialidade, como a vitória de um time, não cabe reivindicar o controle divino, porque em outras, sim?

Não existe meio termo. Contingência esvazia a possibilidade de destino, maktube, predestinação, carma ou soberania. O contrário também é verdadeiro. Quando se aceita que Deus ordena todas as coisas e usa os acontecimentos para conduzir a história a um fim predeterminado, não existe contingência, acidente, acaso ou sorte.

Restam algumas perguntas: Os ganhadores das loterias cumprem algum propósito eterno? O médico incompetente que deixou a mulher tetraplégica agiu com o consentimento de Deus, para o seu bem? O obscuro jogador, que será guindado ao estrelato com a arrancada que fez a bola beijar o filó nos últimos segundo do jogo, foi auxiliado por um anjo? Algumas pessoas confessam o absoluto controle de Deus e ficam zangados com quem questiona suas afirmações. Não se deve discutir religião, política e futebol, apenas perguntar se tais lógicas valem para todas as esferas da vida, inclusive, as triviais.

Acredito que vivemos em um mundo contingente. Aceito que liberdade só é possível quando há acaso. Assim, não atribuo os acontecimentos que me rodeiam à vontade de Deus. Não acho que Deus, lá de cima, micro-gerencie a terra, semelhante a um títere onipotente. Discordo que Ele diga: “Isso eu deixo acontecer, porque me interessa” (vontade permissiva, no teologuês); ou: “Isso eu quero - ou não quero - que aconteça porque será importante para os meus planos – (vontade ativa).

Creio que Deus se relaciona com os seus filhos e filhas a partir de outra conexão. Para que seja possível aos humanos criar, inventar, escrever poesia, aprender a praticar justiça, é necessário que Ele consinta com a liberdade. O Deus creator convida a humanidade para ser parceira na construção da história. Javé não brinca de “faz-de-conta”.

Quando sofremos, Deus sofre. Quando nos alegramos, Deus rejubila ao nosso lado. Quando guerreamos e milhões morrem desnecessariamente, Deus perde. Quando somos bons, solidários e justos, Deus ganha.

Na próxima vitória do Corinthians, Deus vai pular de alegria comigo; sem desprezar as lágrimas dos sãopaulinos, palmeirenses e santistas.

Soli Deo Gloria

Prosado em http://pavablog.blogspot.com/

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Bispo do Paraguai é assim...


Teste vocacional errado


Uma outra mulher surgiu afirmando que o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, é o pai do seu filho. Damiana Hortensia Morán Amarilla, de 39 anos, é a terceira em pouco mais de uma semana. Seu filho tem 1 ano e quatro meses e ela trabalhava na diocese de San Pedro (400 km ao norte de Assunção), onde Lugo era bispo católico.


A primeira mãe abandonada a vir a público foi Viviana Carrilo Cañete, que tem um garoto de 2 anos, reconhecido um tanto a contragosto pelo presidente. Benigna Leguizamón, ex-funcionária da diocese de San Pedro, foi a segunda. Seu filho tem 6 anos. O presidente ainda não se pronunciou sobre os dois novos casos.

Aparentemente, contudo, o ex-bispo católico estava na profissão errada e fez bem em mudar de ramo.


terça-feira, 14 de abril de 2009

O mito de Sansão

“...por que Sansão quer repetir seguidamente o sentimento destrutivo que vivenciou algum dia, sentimento que lhe envenenou a vida desde o inicio? Em outras palavras, por que as pessoas retornam, não raro, justamente às experiências destrutivas, e repetem durante toda a vida uma série de relações deformadas e situações de fracasso que despertam os piores e nocivos sentimentos?”
David Grossman in Mel de Leão [O mito de Sansão]

Sempre ouvi a história de Sansão como o herói que é do povo hebreu. Aprendi que seu ato de heroísmo contra os filisteus foi mais uma provisão divina, provisão que se repete no velho testamento e só são um prenuncio maior de que virá o Salvador, o Messias, que alguns ainda esperam e que alguns acreditam que seja Jesus Cristo.



Acredito no Messias, no Cristo que veio para o judeus e para qualquer um que nEle Creia.

Mas aqui quero falar do livro de David Grossman, o Mel de Leão, que faz uma analise do mito de leão que como cristão nunca ouvi. A leitura do livro fez surgir em meu imaginário um novo Sansão, um mais humano,com suas inquietações e incessante buscas por uma identidade, já que uma parece ter sido roubada antes da sua concepção, uma vez que não foi lhe dada alternativa de nada senão de ser o vingador do povo hebreu contra o filisteu.

Grossman faz a interpretação de cada ato e personagem da história de sansão, nos ajudando a compreender mais a história, o seu significado para a sociedade israelense e a influência dela nos dias de hoje em que se vê um conflito com desigualdade descomunal no oriente.

Porque a leitura
Nos ajuda a compreender o personagem bíblico, com sua liberdade de agir, com sua humanidade e os seus mistérios. O autor traz uma interpretação de cada ato de Sansão fazendo com que reflitamos em questões religiosas, filosóficas e do mundo contemporâneo.


trecho

“Mas justamente na existência do Estado de Israel se revela, em épocas conturbadas, uma analogia básica com Sansão e sua força: como no caso Sansão, parece que a força militar de Israel hoje é um bem disponível que se torna um mal;… ser “possuidor de uma força poderosa”, não é na verdade uma inclinação da consciência israelense, não foi assimilada de forma natural no decorrer do desenvolvimento de várias gerações; e talvez também por isso a relação com essa força cuja conquista é acompanhada às vezes de um sentimento de verdadeiro milagre, não raro tende a deturpação."

segunda-feira, 6 de abril de 2009

As lições da transgressão

MOACYR SCLIAR escreve, às segundas-feiras, um texto de ficção baseado em notícias publicadas na Folha.
Dois casos da semana passada me chamaram a atenção e sobre os dois Scliar solta a sua imaginação.


1. Obrigado, professor

A Polícia do Rio prendeu ontem um homem acusado de, com diplomas falsos, ter trabalhado como engenheiro e professor universitário. Edson de Abreu, 44, apresentava-se como engenheiro civil formado pela UFF (Universidade Federal Fluminense), com duas especializações nos EUA. Mas, segundo a polícia, Abreu só concluiu o curso de técnico em edificações, equivalente ao ensino médio. Cotidiano, 3 de abril de 2009

QUANDO RAFAEL leu no jornal a notícia sobre a prisão do falso professor, não pôde conter uma exclamação abafada, uma exclamação na qual se misturavam a surpresa, a alegria e também a raiva. O que era explicável: ele tinha sido aluno daquele professor. E ter sido aluno do professor mudara sua vida. Isso acontecera quando ele fora reprovado numa prova. O que é, até certo ponto, um fato banal na vida de qualquer aluno, representava para Rafael uma catástrofe. Porque ele já havia sido reprovado em várias disciplinas, e o pai, impaciente, terminara por dar-lhe um ultimato: se você for reprovado mais uma vez, tiro você da universidade e você vai trabalhar. E aí viera a reprovação e o pânico. Em desespero, Rafael chegara a pensar numa medida extrema: subornar o professor. Venderia o carro e lhe ofereceria o dinheiro em troca de uma revisão da nota. Mas o homem parecia-lhe tão reto, tão austero, que não se atrevera a fazê-lo. Antes que o pai fizesse um escândalo, anunciou em casa que estava deixando os estudos. O que, ao fim e ao cabo, resultara numa bênção: a pequena empresa que criara ia de vento em popa e, apesar da crise, ele estava ganhando muito dinheiro. Um dinheiro que não ganharia jamais com um diploma

Agora vinha a espantosa revelação: o homem não era professor universitário coisa alguma. Era um enganador bem-sucedido. O que, concluiu Rafael, resultava numa lição. Não avaliável em prova, mas uma lição de qualquer modo.

2. Obrigado, carcereiro

Cerca de 40 crianças, de cinco a sete anos, estudam, desde agosto, em uma cadeia desativada em São Pedro do Iguaçu (oeste do Paraná). A única escola da comunidade foi destruída por um vendaval. Cotidiano, 3 de abril de 2009

O FILHO, de sete anos, voltou para casa furioso: agora a gente tem aula na cadeia, papai! O homem ouviu em silêncio, passou a mão na cabeça do menino, mas não disse nada. Como poderia dizer? Como poderia contar ao filho que naquela mesma cadeia -quando era cadeia de verdade- ele estivera preso, dez anos antes? Verdade que se tratava de uma transgressor menor, um furto, e que aquela era a primeira vez que ia preso; mas, para sua família, de gente pobre, mas honesta, aquilo era um desastre. Coisa que reconheceu e que o deixou profundamente deprimido.Salvou-o o carcereiro. Esse homem, ignorante, revelou-se um verdadeiro mestre. Dando-se conta da aflição do rapaz, procurou ampará-lo: veja isso como uma lição, trate de mudar sua vida, você conseguirá.

Saindo da prisão, arranjou um emprego, melhorou de vida. Casou, teve um filho, menino vivo, inteligente, que era para ele uma verdadeira realização. E agora o filho frequentava, ainda que de modo diferente, a mesma cadeia. Havia uma lição naquilo. Uma lição que não saberia, assim como o menino, traduzir em palavras candentes. Mas que era uma lição importante, ah, isso era.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Meu presidente é porreta

Obama avisou, Obama falou...



O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta quinta-feira em Londres que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o "político mais popular da Terra"

Obama fez o comentário em uma roda de líderes mundiais, pouco antes do início da reunião do G20, em uma sala de conferência do Excel Center, em Londres.

Um vídeo da BBC registra a cena em que os dois se cumprimentam. Obama troca um aperto de mãos com o presidente brasileiro, olha para o primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd, e diz, apontando para Lula: "Esse é o cara! Eu adoro esse cara!".

Em seguida, enquanto Lula cumprimenta Rudd, Obama diz, novamente apontando para Lula : "Esse é o político mais popular da Terra".

Rudd aproveita a deixa e diz : "O mais popular político de longo mandato".

"É porque ele é boa pinta", acrescenta Obama.
fonte BBC

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Napoleão Bonaparte e as constituições



Termino de ler a curta biografia de Napoleão de Thierry Lentz da editora Unesp. Impulsionado pelas leituras sobre a vinda da Cora Portuguesa que fugiu de Napoleão. Por vezes, parece estar lendo a vida de um personagem do nosso tempo, e próximo territorialmente de nós. Como o trecho em que descreve que uma mulher pergunta o que há na constituição e tem a seguinte resposta: “Há Bonaparte”.

Talvez essa cena tenha sido vivida dias atrás, primeiro com Morales na promulgação de sua constituição. Sim, “há Morales na constituição” e com Hugo Chavez na comemoração de seus 10 anos de poder. Sim, há Chavez na Constituição.

A situação com Bonaparte, se refere a primeira constituição utilizada como “ferramenta de governo” e por ele promulgada quando ainda tinha trinta anos. Na ocasião Bonaparte deveria governar como primeiro cônsul por 10 anos deixando o governo para outros após esse período. Se no papel a constituição parecia respeitar os princípios revolucionários de 1789 (colegiado executivo, preparação da lei por órgãos representativos, sufrágio universal) na pratica se via os poderes nas mãos de Napoleão o primeiro cônsul, que fez com que 10 anos depois continuasse no poder com pequenas reformas na Constituição. Napoleão enquanto cônsul sacrificou a vida de muitos de seus representantes para se firmar cada vez mais no poder e pelo desejo de querer mais e mais.

Um homem decidido sim! Conhecedor de se tempo admirador da história, estratégico e sucumbiu só diante dos russos no inverno.

"política é de governar os homens como a maioria exige. Está aí, creio eu, a maneira de reconhecer a soberania do povo. Foi em me passando por católico que acabei com a guerra de Vendéia, me passando por muçulmano que me estabeleci no Egito, me passando por ultramontano que ganhei as pessoas na Itália. Se eu governasse um povo judeu eu restabeleceria o templo de Salomão".

Bonaparte foi deposto pelo senado francês no ano de 1814 acusado de trair a constituição.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Judeus e palestinos

Documentário sobre a guerra dos palestinos e judeus


BBC The Birth of Israel 2008 legendado from olhocosmico on Vimeo.

prosado em http://pedrodoria.com.br/

O peso da alma

Caro leitor: após o assunto de extrema seriedade que tratamos na semana passada -o novo governo de Obama e as mudanças positivas que esperamos nos EUA e, quem sabe, no Brasil- gostaria de voltar a minha e a sua atenção para assuntos mais imponderáveis.

Eis que, essa semana, quando pesquisava material para o meu novo livro (que deverá sair no ano que vem), deparei-me com uma matéria deliciosa que imagino seja do interesse de todos os leitores: o peso da alma.Pois é, a alma tem ou não um peso?

Claro está, como não estabelecemos contato com uma alma livre ou, se estabelecemos, a pergunta de cunho científico sempre fica deixada para trás perante às de cunho emocional, não temos ainda uma resposta universalmente aceita.Devo dizer, para maior esclarecimento, que nem todas as religiões acreditam em alma.

As que acreditam dificilmente atribuiriam à alma propriedades materiais, como o peso ou um campo eletromagnético. Por outro lado, visto que nós humanos podemos apenas medir aquilo que é material, ficamos limitados a esse tipo de estratégia mais metodológica. Na pior das hipóteses, se obtivermos resultados negativos, confirmaremos mais uma vez nossa incapacidade de mergulharmos nos mistérios mais profundos da existência de forma racional. Que ingênuos aqueles cientistas que acham que poderia ser diferente!

No dia 11 de Março de 1907, leitores do prestigioso jornal americano "The New York Times", depararam-se com a manchete: "Médico acredita que a alma tem peso". O doutor Duncan MacDougall, de Haverhill (EUA), conjecturou que, se a alma fosse material teria uma massa. Para provar a sua hipótese, equipou seis leitos com balanças de boa precisão e ocupou-os com pacientes que estavam à beira da morte. Seguiu-se um período de observação, durante o qual o doutor esperou pela morte de seus pacientes.

Cuidadoso, certificou-se de que a perda de peso medida já antes da morte era devida aos fluidos eliminados pelos pacientes pelo suor ou urina; após a sua evaporação, as balanças acusavam uma pequena perda de peso.

Um deles morreu após três horas e quarenta minutos. Para a surpresa do bom doutor, em alguns segundos, a balança acusou uma perda de 21,3 gramas. Seria esse o peso da alma, 21 gramas? Dos seis testes, dois tiveram que ser eliminados devido a erros nas balanças: num deles, a balança não havia sido calibrada corretamente; o outro morreu tão rápido que o médico não teve tempo de calibrá-la.

Dos outros três, dois indicaram uma perda de peso que continuou durante um bom tempo, e o último indicou uma perda de peso que depois reverteu ao normal. O doutor especulou que a partida da alma depende do temperamento da pessoa: as almas daquelas mais lentas demoram mais para abandonar o corpo.

O doutor repetiu o experimento com quinze desafortunados cachorros, não encontrando qualquer diferença no momento da morte. O resultado não o surpreendeu.

Pelo contrário, serviu de apoio à sua conclusão.Afinal, cachorros não têm almas.

Quatro anos mais tarde, o doutor MacDougall voltou às manchetes do "The New York Times". Desta vez, pretendia fotografar a alma usando o recém-descoberto raio-X. Resultados negativos foram atribuídos à agitação da substância animista no momento da morte. De qualquer forma, o doutor afirmou ter visto "a alma de doze pacientes emitir uma luz semelhante àquela vista no éter interestelar".

Pobre doutor. Provavelmente não sabia que em 1905 um jovem físico alemão de nome Albert Einstein havia demonstrado que o éter não existe.

Marcelo Glaiser
caderno Mais

Fonte: Folha de São Paulo

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

30 atitudes para deixar a vida mais bonita

do blog de onde eu tirei esse video 30 Things To Make Life More Beautiful você encontra postagens conservadorissimas como uma carta aberta para o presidente Bush e agradecendo-o pelo (des) serviço prestado e suspeitas sobre o discurso do Barack Obama quando este fala com os Mulçumanos. A blogueira é conservadora, o que me chama a atenção é que ela é leitora e comentarista de textos do Philip Yancey que ao meu ver (corrijam-me se estiver enganado ) parece ser nada consevador. Não imaginava que ele possuía leitores em grupos conservadores como parece ser essa blogueira.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O dia do Fico do KaKá

Melhor do que Galvão Bueno




O atacante Kaká resolveu recusar a maior proposta de transferência do futebol. Disse não aos R$ 365 milhões do Manchester City e ficar no Milan. A informação foi dada pelo presidente da equipe, o empresário Silvio Berlusconi, primeiro-ministro da Itália, em entrevista por telefone a um programa esportivo na TV. A notícia provocou reações, digamos, bastante entusiasmadas dos comentaristas (como é possível ver nesse vídeo).

postado em http://laryff.com.br/

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

A igreja caiu

Mas que braveza é aquela dos irmãozinhos da Renascer em Cristo com os Jornalistas?
Os caras viraram Xiita mesmo. Que fanatismo é esse mermão? Na tragédia querendo bater em Jornalista? Isso é falta de leitura da bíblia. Só pode ser. Para que vocês utilizam a bblia para guardar dólares, por acaso? Hein? Será que é porque alguém perguntou se com uns 50 mil dólares daria para fazer por ali uma boa reforma? Nem da casa os cara cuidaram. Graças a Deus o casalzinho ta guardado lá em Miami

domingo, 28 de dezembro de 2008

Quintanices II

"O encanto das viagens está na própria viagem: a partida e a chegada são meras interrupções num velho sonho atávico de nomadismo"

sábado, 27 de dezembro de 2008

É Quintana???

Muitas ocasiões apercebemo-nos da falta de espaço em nosso redor
É necessário alargar os horizontes
Quebrar os limites que nos delimitam os movimentos físicos
Ir para além das suas fronteiras
O ser humano precisa de espaço
Para respirar
Para existir.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

A sabedoria que eu procuro,

"O DIABO é que misturamos tudo, trocamos as bolas e desejamos que a vida seja uma coisa arrumada como as antigas farmácias homeopáticas, uma porção de vidrinhos rotulados para cada caso específico, "alium sativum" para os resfriados, extrato de beladona para os males hepáticos, tudo tem remédio e tudo vale a pena, mesmo que, ao contrário do poeta, a alma seja pequena. A realidade de cada ano, somada à realidade de todos os outros anos, destaca que o importante é a vida em si, a capacidade de sentir o sol sobre a pele, viver a esperança de cada manhã e a resignação de cada tarde. Se abrirmos o jornal, tomamos conhecimento da sordidez do mundo, na qual colaboramos de alguma forma, mas não da vida.
Nisso está a sabedoria e a paz: diferenciar o mundo, separando-o da vida. "

Carlos Heitor Cony

Quintanices...

Atravessar de um ano para o outro parece-nos uma espécie de corrida. Chega-se daquele jeito que bem sabemos, mas com uma careta de triunfo na face..."

Mario Quintana

Quem inventou essa Prosperidade?

Acho Cony um pouco desesperançoso, cético com tudo. Não recomendo a leitura dele sem uma outra literatura para balancear. mas o cara tá velho, viu de quase tudo nessa vida, não é bom ignora-lo, e aqui segue um trecho da sua crônica publicada no dia de hoje para a Folha de São Paulo.


"O ANO podia ter sido pior -aliás, tudo nesta vida e na outra podia ser pior.Sempre impliquei com o lugar-comum que obriga a humanidade a maldizer o ano que passou e a bajular o ano que chega, desejando-o próspero. A verdade é que todos os anos que já maldizemos, íntima ou publicamente, todos os anos que ficamos aflitos em vê-los para trás, todos esses anos - repito - foram prósperos no início e acabaram malditos, como os demais. Quem inventou essa prosperidade?"

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O que é...

O que é o celular, ou o que são as relações humanas na pós-modernidade
por Zygmunt Bauman

Uma mensagem brilha na tela em busca de outra. Seus dedos estão sempre ocupados: você pressiona as teclas, digitando novos números para responder às chamadas ou compondo suas próprias mensagens. Você permanece conectado – mesmo estando em constante movimento, e ainda que os remetentes ou destinatários invisíveis das mensagens recebidas e enviadas também estejam em movimento, cada qual seguindo suas próprias trajetórias. Os celulares são para pessoas em movimento.

Você nunca perde de vista o seu celular. Sua roupa de jogging tem um bolso especial para ele, e você nunca sai com aquele bolso vazio, da mesma forma que não vai correr sem seu tênis. Na verdade, você não iria a nenhum lugar sem o celular ('nenhum lugar' é, afinal, o espaço sem um celular, com um celular fora de área ou sem bateria). Estando com seu celular, você nunca está fora ou longe. Encontra-se sempre dentro – mas jamais trancado em um lugar. Encasulado numa teia de chamadas e mensagens, você está invulnerável. As pessoas ao seu redor não podem rejeitá-lo e, mesmo que tentassem, nada do que realmente importa iria mudar.

Zygmunt Bauman,
Amor Liquido:
Sobre a fragilidade dos laços humanas, p. 78