Prosear é um jeito de falar. Fala sem objetivo definido, como o vôo dos urubus - indo ao sabor do vento. Palavras fluindo. Para prosa não existe 'ordem do dia', não há conclusões, não há decisões. A prosa não quer chegar a nenhum lugar. A prosa encontra sua felicidade em prosear. Como andar de barco a vela em que o bom não é chegar mas o 'estar indo'. Rubem Alves
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Pagando bem...
Lembro-me de um texto que lia um dia desses (prometo procurar e postar por aqui) do Luiz Felipe Pondé em que ele sinalizava para o dia em pedofilia deixaria de ser crime. Estamos chegando lá, que Estado é esse em que crianças de 13 anos vendem sexo e esse mesmo Estado no poder do Juduciário decide que quem paga não é criminoso.
"Parem o mundo que eu quero descer..."
A Justiça é cega e não bate bem
Entre todos os três poderes, o Judiciário brasileiro é o mais complicado. O Executivo e o Legislativo, pelo menos, se submetem a diversos tipos de controle - quase todos falhos e pouco eficientes, é verdade. De qualquer jeito, é possível, de tempos em tempos, expurgar, mesmo que temporariamente, alguns de seus frutos mais podres. Em eleições, por exemplo, cabe a quem vota não reconduzir ao cargo quem não merece. Já com o Judiciário…
Pois o Superior Tribunal de Justiça decidiu que não é crime pagar por sexo com menores de idade. O processo, originalmente, é de Mato Grosso do Sul. E o STJ confirmou assim a decisão de instâncias inferiores. Os dois réus pagaram para fazer sexo em um motel com três adolescentes, de 12 e 13 anos. A alegação foi de que não há “crime de exploração sexual de menores por considerar que as adolescentes já eram prostitutas reconhecidas”.
Ou seja, para o STJ, vale fazer sexo com criança desde que ela receba por isso.
Prosado em
Luiz Antonio Ryff
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Sobre Pensar...
Minha filha me fez uma pergunta: “O que é pensar?”. Disse-me que esta era uma pergunta que o professor de filosofia havia imposto à classe. Pelo que lhe dou os parabéns. Primeiro, por ter ido diretamente à questão essencial. Segundo, por ter tido a sabedoria de fazer a pergunta, sem dar a resposta. Porque se tivesse dado a resposta, teria com ela cortado as asas do pensamento. O pensamento é como a águia que só alça vôo nos espaços vazios do desconhecido. Pensar é voar sobre o que não se sabe. Não existe nada mais fatal para o pensamento que o ensino das respostas certas. Para isso existem as escolas: não para ensinar as respostas, mas para ensinar as perguntas. As respostas nos permitem andar sobre a terra firme. Mas somente as perguntas nos permitem entrar pelo mar desconhecido.
E, no entanto, não podemos viver sem respostas. As asas, para o impulso inicial do vôo, dependem dos pés apoiados na terra firme. Os pássaros, antes de saber voar, aprendem a se apoiar sobre os seus pés. Também as crianças, antes de aprender a voar têm de aprender a caminhar sobre a terra firme.
Terra firme: as milhares de perguntas para as quais as gerações passadas já descobriram as respostas. O primeiro momento da educação é a transmissão desse saber. Nas palavras de Roland Barthes: “Há um momento em que se ensina o que se sabe…” E o curioso é que este aprendizado é justamente para nos poupar da necessidade de pensar.
As gerações mais velhas ensinam às mais novas as receitas que funcionam. Sei amarrar os meus sapatos, automaticamente, sei dar o nó na minha gravata automaticamente: as mãos fazem o trabalho com destreza enquanto as idéias andam por outros lugares. Aquilo que um dia eu não sabia me foi ensinado; eu aprendi com o corpo e esqueci com a cabeça. E a condição para que as minhas mãos saibam bem é que a cabeça não pense sobre o que elas estão fazendo. Um pianista que, na hora da execução, pensa sobre os caminhos que seus dedos deverão seguir, tropeçará fatalmente. Há a história de uma centopéia que andava feliz pelo jardim, quando foi interpelada por um grilo: “Dona centopéia, sempre tive a curiosidade sobre uma coisa: quando a senhora anda, qual, dentre as suas cem pernas, é aquela que a senhora movimenta primeiro?”. “Curioso”, ela respondeu. “Sempre andei, mas nunca me propus esta questão. Da próxima vez, prestarei atenção”. Termina a história dizendo que a centopéia nunca mais voltou a andar.
Todo mundo fala, e fala bem. Ninguém sabe como a linguagem foi ensinada e nem como ela foi aprendida. A despeito disso, o ensino foi tão eficiente que não preciso pensar em falar. Ao falar, não sei se estou usando um substantivo, um verbo ou um adjetivo, e nem me lembro das regras da gramática. Quem, para falar, tem que se lembrar dessas coisas, não sabe falar. Há um nível de aprendizado em que o pensamento é um estorvo. Só se sabe bem com o corpo aquilo que a cabeça esqueceu. E assim escrevemos, lemos, andamos de bicicleta, nadamos, pregamos prego, guiamos carros: sem saber com a cabeça, porque o corpo sabe melhor. É um conhecimento que se tornou parte inconsciente de mim mesmo. E isso me poupa do trabalho de pensar o já sabido. Ensinar, aqui, é inconscientizar.
O sabido é o não pensado, que fica guardado, pronto para ser usado como receita, na memória deste computador que se chama cérebro. Basta apertar a tecla adequada para que a receita apareça no vídeo da consciência. Aperto a tecla moqueca. A receita aparecerá no meu vídeo cerebral: panela de barro, azeite, peixe, tomate, cebola, coentro, cheiro-verde, urucum, sal, pimenta, seguidos de uma série de instruções sobre o que fazer.
Não é coisa que eu tenha inventado. Me foi ensinado. Não precisei pensar. Gostei. Foi para a memória. Esta é a regra fundamental desse computador que vive no corpo humano: só vai para a memória aquilo que é objeto do desejo. A tarefa primordial do professor: seduzir o aluno para que ele deseje e, desejando, aprenda.
E o saber fica memorizado de cor – etimologicamente, no coração -, à espera de que o teclado desejo de novo o chame de seu lugar de esquecimento.
Memória: um saber que o passado sedimentou. Indispensável para se repetir as receitas que os mortos nos legaram. E elas são boas. Tão boas que nos fazem esquecer que é preciso voar. Permitem que andemos pelas trilhas batidas. Mas nada têm a dizer sobre os mares desconhecidos. Muitas pessoas, de tanto repetir as receitas, metamorfosearam-se de águias em tartarugas. E não são poucas as tartarugas que possuem diplomas universitários. Aqui se encontra o perigo das escolas: de tanto ensinar o que o passado legou – e ensinou bem – fazem os alunos se esquecer de que o seu destino não é passado cristalizado em saber, mas um futuro que se abre como vazio, um não-saber que somente pode ser explorado com as asas do pensamento. Compreende-se então, que Barthes tenha dito que, seguindo-se ao tempo em que se ensina o que se sabe, deve chegar o tempo em que se ensina o que não se sabe.
Rubem Alves
retirado do blog não oficial do autor http://rubemalves.wordpress.com/
sexta-feira, 19 de junho de 2009
País é o que mais desperdiça aula com bronca
Bulgária é o país onde os professores conseguem aproveitar melhor o tempo das aulas, seguido por Estônia e Hungria
A fala do presidente Confederação Nacional de Trabalhadores em Educação, Roberto de Leão
"...é fato que muito do tempo do professor é roubado por tarefas que não deveriam ser dele. Ele precisa muitas vezes fazer a função de psicólogo, pai ou assistente social, já que todos os problemas sociais acabam convergindo para a escola."
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Anne Frank

Falo de Anne Frank que escreveu em um diário suas dúvidas, intrigas e medos de adolescente, como se escreve em um blog nos dias de hoje; não bem como em um blog, porque escrevia para um único confidente, o seu diário; não escrevia para ser lida escrevia em tom de desabafo para ser compreendida pelo diário a quem dera o nome de Kitty. Compreendida nem tanto como judia, mas mais como adolescente com as suas birras, mudanças comportamentais, teimas e dúvidas sobre a vida que a cercava. Escrevia em Amsterdã, na Holanda, escondida num anexo secreto do escritório de sua família.
Em comemoração a data a instituição Anne Frank Trust-UK, da Grã-Bretanha, divulgou uma fotografia de como seria a aparência dela se tivesse sobrevivido ao século XX.
http://www.annefrank.org.uk/
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Genealogia resumida do Príncipe D. Pedro Luiz:
D. João VI, Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (1767-1826)
D. Pedro I, Imperador do Brasil (1798-1834)
D. Pedro II, Imperador do Brasil (1825-1891)
D. Isabel, a Redentora (1846-1921)
D. Luiz de Orleans e Bragança (1878-1920)
D. Pedro Henrique de Orleans e Bragança (1909-1981)
D. Luiz de Orleans e Bragança, atual Chefe da Casa Imperial do Brasil (1938)
D. Bertrand de Orleans e Bragança, atual Príncipe Imperial do Brasil (1941)
D. Antônio de Orleans e Bragança, atual Príncipe do Brasil (1950) e pai de D. Pedro Luiz
D. Pedro Luiz de Orleans e Bragança, Príncipe do Brasil (1983 – 2009)
prosado no blog http://causamonarquica.wordpress.com/2009/06/03/sar-principe-dom-pedro-luiz-maria-jose-miguel-gabriel-rafael-gonzaga-de-orleans-e-braganca/
Sobre os 200 anos da chegada da família real (flash)
Há exatos 200 anos, a Corte portuguesa aportava no Rio de Janeiro. Conheça os personagens deste marco histórico e leia análises sobre seu impacto
http://www.estadao.com.br/especiais/200-anos-da-chegada-da-familia-real,13805.htm
sábado, 25 de abril de 2009
biblioteca mundial digital da UNESCO
http://www.wdl.org/
DEUS É FIEL
Ricardo Gondim
Sou torcedor não fanático, mas devoto, do maior e melhor time do Brasil, o Corinthians. Dedico ao Timão alguns superlativos: eficientíssimo, grandessíssimo, gloriosíssimo. Não há como negar, o meu clube é tão especial que nem os lugares-comuns distoam: “a única esquadra que não tem torcida, mas uma nação”; “exemplo de desorganização que sempre dá certo”; “quem melhor representa o espírito maloqueiro nacional”; “encarnação de perseverança e fidelidade”; “não somos uma arquibancada, mas os Gaviões da Fiel”.
Futebol tem poucas regras, não requer equipamentos sofisticados (os pobres fazem bolas estofando meias velhas) e pode ser jogado em qualquer terreno. Em seus primórdios, era tão sofisticado quanto o golfe nos dias atuais; no Brasil, apelidaram-no de futebol society porque atraia a burguesia. Hoje, mexe com o povão. Mas o que existe nele que nos enferma de paixão? Qual a mágica do jogo para extasiar multidões, de intelectuais a analfabetos?
Simples! Imprevisibilidade. No futebol, só se conhece o resultado de uma partida depois que o juiz apita o fim. A qualquer instante o impensável pode acontecer. E nem sempre o mais forte ganha. A famosa zebra existe, e vez por outra arruína com os prognósticos mais precisos. Quando duas equipes entram em campo, uma displicência pode alterar definitivamente o placar final. Se logo no início, o mais fraco marcar um gol, basta que fique na retranca, e por mais que o adversário tente não consegue reverter o escore.
Onde fica a relação do futebol com Deus? Na questão da imprevisibilidade. Deus tem ou não tudo sob controle? Se tem, o campeonato estadual, a qualificação para a próxima Copa do Mundo e o capitão que vai erguer o Caneco estão sob seu absoluto domínio. Acontece que ninguém de sã consciência concebe que oração, mandinga, sinal da cruz e despacho em encruzilhada sejam eficazes para direcionar o que acontece dentro das quatro linhas do relvado (se macumba ganhasse campeonato, o da Bahia terminaria empatado).
Exatamente! O magnífico do futebol são os acidentes de percurso. Em filosofia, acidente de percurso chama-se contingência. Contingência, portanto, é aquilo que é ou pode ser, mas não é necessário. Em outras palavras, não existe causa ou razão para que determinado evento aconteça. Um gol do Corinthians aos 48 minutos do segundo tempo, que o classificou para a final pode ter sido apenas um acaso. E nenhuma divindade, por mais poderosa e soberana que seja, necessita ser reivindicada para explicar o golaço – motivo da alegria para uma Nação, mas de infelicidade para os adversários.
Basta que se mantenha a lógica. Se em uma trivialidade, como a vitória de um time, não cabe reivindicar o controle divino, porque em outras, sim?
Não existe meio termo. Contingência esvazia a possibilidade de destino, maktube, predestinação, carma ou soberania. O contrário também é verdadeiro. Quando se aceita que Deus ordena todas as coisas e usa os acontecimentos para conduzir a história a um fim predeterminado, não existe contingência, acidente, acaso ou sorte.
Restam algumas perguntas: Os ganhadores das loterias cumprem algum propósito eterno? O médico incompetente que deixou a mulher tetraplégica agiu com o consentimento de Deus, para o seu bem? O obscuro jogador, que será guindado ao estrelato com a arrancada que fez a bola beijar o filó nos últimos segundo do jogo, foi auxiliado por um anjo? Algumas pessoas confessam o absoluto controle de Deus e ficam zangados com quem questiona suas afirmações. Não se deve discutir religião, política e futebol, apenas perguntar se tais lógicas valem para todas as esferas da vida, inclusive, as triviais.
Acredito que vivemos em um mundo contingente. Aceito que liberdade só é possível quando há acaso. Assim, não atribuo os acontecimentos que me rodeiam à vontade de Deus. Não acho que Deus, lá de cima, micro-gerencie a terra, semelhante a um títere onipotente. Discordo que Ele diga: “Isso eu deixo acontecer, porque me interessa” (vontade permissiva, no teologuês); ou: “Isso eu quero - ou não quero - que aconteça porque será importante para os meus planos – (vontade ativa).
Creio que Deus se relaciona com os seus filhos e filhas a partir de outra conexão. Para que seja possível aos humanos criar, inventar, escrever poesia, aprender a praticar justiça, é necessário que Ele consinta com a liberdade. O Deus creator convida a humanidade para ser parceira na construção da história. Javé não brinca de “faz-de-conta”.
Quando sofremos, Deus sofre. Quando nos alegramos, Deus rejubila ao nosso lado. Quando guerreamos e milhões morrem desnecessariamente, Deus perde. Quando somos bons, solidários e justos, Deus ganha.
Na próxima vitória do Corinthians, Deus vai pular de alegria comigo; sem desprezar as lágrimas dos sãopaulinos, palmeirenses e santistas.
Soli Deo Gloria
Prosado em http://pavablog.blogspot.com/
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Bispo do Paraguai é assim...

terça-feira, 14 de abril de 2009
O mito de Sansão
David Grossman in Mel de Leão [O mito de Sansão]
Sempre ouvi a história de Sansão como o herói que é do povo hebreu. Aprendi que seu ato de heroísmo contra os filisteus foi mais uma provisão divina, provisão que se repete no velho testamento e só são um prenuncio maior de que virá o Salvador, o Messias, que alguns ainda esperam e que alguns acreditam que seja Jesus Cristo.Acredito no Messias, no Cristo que veio para o judeus e para qualquer um que nEle Creia.
Mas aqui quero falar do livro de David Grossman, o Mel de Leão, que faz uma analise do mito de leão que como cristão nunca ouvi. A leitura do livro fez surgir em meu imaginário um novo Sansão, um mais humano,com suas inquietações e incessante buscas por uma identidade, já que uma parece ter sido roubada antes da sua concepção, uma vez que não foi lhe dada alternativa de nada senão de ser o vingador do povo hebreu contra o filisteu.
Grossman faz a interpretação de cada ato e personagem da história de sansão, nos ajudando a compreender mais a história, o seu significado para a sociedade israelense e a influência dela nos dias de hoje em que se vê um conflito com desigualdade descomunal no oriente.
Porque a leitura
Nos ajuda a compreender o personagem bíblico, com sua liberdade de agir, com sua humanidade e os seus mistérios. O autor traz uma interpretação de cada ato de Sansão fazendo com que reflitamos em questões religiosas, filosóficas e do mundo contemporâneo.
trecho
“Mas justamente na existência do Estado de Israel se revela, em épocas conturbadas, uma analogia básica com Sansão e sua força: como no caso Sansão, parece que a força militar de Israel hoje é um bem disponível que se torna um mal;… ser “possuidor de uma força poderosa”, não é na verdade uma inclinação da consciência israelense, não foi assimilada de forma natural no decorrer do desenvolvimento de várias gerações; e talvez também por isso a relação com essa força cuja conquista é acompanhada às vezes de um sentimento de verdadeiro milagre, não raro tende a deturpação."
segunda-feira, 6 de abril de 2009
As lições da transgressão
Dois casos da semana passada me chamaram a atenção e sobre os dois Scliar solta a sua imaginação.
1. Obrigado, professor
A Polícia do Rio prendeu ontem um homem acusado de, com diplomas falsos, ter trabalhado como engenheiro e professor universitário. Edson de Abreu, 44, apresentava-se como engenheiro civil formado pela UFF (Universidade Federal Fluminense), com duas especializações nos EUA. Mas, segundo a polícia, Abreu só concluiu o curso de técnico em edificações, equivalente ao ensino médio. Cotidiano, 3 de abril de 2009
QUANDO RAFAEL leu no jornal a notícia sobre a prisão do falso professor, não pôde conter uma exclamação abafada, uma exclamação na qual se misturavam a surpresa, a alegria e também a raiva. O que era explicável: ele tinha sido aluno daquele professor. E ter sido aluno do professor mudara sua vida. Isso acontecera quando ele fora reprovado numa prova. O que é, até certo ponto, um fato banal na vida de qualquer aluno, representava para Rafael uma catástrofe. Porque ele já havia sido reprovado em várias disciplinas, e o pai, impaciente, terminara por dar-lhe um ultimato: se você for reprovado mais uma vez, tiro você da universidade e você vai trabalhar. E aí viera a reprovação e o pânico. Em desespero, Rafael chegara a pensar numa medida extrema: subornar o professor. Venderia o carro e lhe ofereceria o dinheiro em troca de uma revisão da nota. Mas o homem parecia-lhe tão reto, tão austero, que não se atrevera a fazê-lo. Antes que o pai fizesse um escândalo, anunciou em casa que estava deixando os estudos. O que, ao fim e ao cabo, resultara numa bênção: a pequena empresa que criara ia de vento em popa e, apesar da crise, ele estava ganhando muito dinheiro. Um dinheiro que não ganharia jamais com um diploma
Agora vinha a espantosa revelação: o homem não era professor universitário coisa alguma. Era um enganador bem-sucedido. O que, concluiu Rafael, resultava numa lição. Não avaliável em prova, mas uma lição de qualquer modo.
2. Obrigado, carcereiro
Cerca de 40 crianças, de cinco a sete anos, estudam, desde agosto, em uma cadeia desativada em São Pedro do Iguaçu (oeste do Paraná). A única escola da comunidade foi destruída por um vendaval. Cotidiano, 3 de abril de 2009
O FILHO, de sete anos, voltou para casa furioso: agora a gente tem aula na cadeia, papai! O homem ouviu em silêncio, passou a mão na cabeça do menino, mas não disse nada. Como poderia dizer? Como poderia contar ao filho que naquela mesma cadeia -quando era cadeia de verdade- ele estivera preso, dez anos antes? Verdade que se tratava de uma transgressor menor, um furto, e que aquela era a primeira vez que ia preso; mas, para sua família, de gente pobre, mas honesta, aquilo era um desastre. Coisa que reconheceu e que o deixou profundamente deprimido.Salvou-o o carcereiro. Esse homem, ignorante, revelou-se um verdadeiro mestre. Dando-se conta da aflição do rapaz, procurou ampará-lo: veja isso como uma lição, trate de mudar sua vida, você conseguirá.
Saindo da prisão, arranjou um emprego, melhorou de vida. Casou, teve um filho, menino vivo, inteligente, que era para ele uma verdadeira realização. E agora o filho frequentava, ainda que de modo diferente, a mesma cadeia. Havia uma lição naquilo. Uma lição que não saberia, assim como o menino, traduzir em palavras candentes. Mas que era uma lição importante, ah, isso era.
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Meu presidente é porreta
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta quinta-feira em Londres que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o "político mais popular da Terra"
Obama fez o comentário em uma roda de líderes mundiais, pouco antes do início da reunião do G20, em uma sala de conferência do Excel Center, em Londres.
Um vídeo da BBC registra a cena em que os dois se cumprimentam. Obama troca um aperto de mãos com o presidente brasileiro, olha para o primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd, e diz, apontando para Lula: "Esse é o cara! Eu adoro esse cara!".
Em seguida, enquanto Lula cumprimenta Rudd, Obama diz, novamente apontando para Lula : "Esse é o político mais popular da Terra".
Rudd aproveita a deixa e diz : "O mais popular político de longo mandato".
"É porque ele é boa pinta", acrescenta Obama.
fonte BBC
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Napoleão Bonaparte e as constituições
"política é de governar os homens como a maioria exige. Está aí, creio eu, a maneira de reconhecer a soberania do povo. Foi em me passando por católico que acabei com a guerra de Vendéia, me passando por muçulmano que me estabeleci no Egito, me passando por ultramontano que ganhei as pessoas na Itália. Se eu governasse um povo judeu eu restabeleceria o templo de Salomão".
Bonaparte foi deposto pelo senado francês no ano de 1814 acusado de trair a constituição.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Judeus e palestinos
BBC The Birth of Israel 2008 legendado from olhocosmico on Vimeo.
prosado em http://pedrodoria.com.br/
O peso da alma
Eis que, essa semana, quando pesquisava material para o meu novo livro (que deverá sair no ano que vem), deparei-me com uma matéria deliciosa que imagino seja do interesse de todos os leitores: o peso da alma.Pois é, a alma tem ou não um peso?
Claro está, como não estabelecemos contato com uma alma livre ou, se estabelecemos, a pergunta de cunho científico sempre fica deixada para trás perante às de cunho emocional, não temos ainda uma resposta universalmente aceita.Devo dizer, para maior esclarecimento, que nem todas as religiões acreditam em alma.
As que acreditam dificilmente atribuiriam à alma propriedades materiais, como o peso ou um campo eletromagnético. Por outro lado, visto que nós humanos podemos apenas medir aquilo que é material, ficamos limitados a esse tipo de estratégia mais metodológica. Na pior das hipóteses, se obtivermos resultados negativos, confirmaremos mais uma vez nossa incapacidade de mergulharmos nos mistérios mais profundos da existência de forma racional. Que ingênuos aqueles cientistas que acham que poderia ser diferente!
No dia 11 de Março de 1907, leitores do prestigioso jornal americano "The New York Times", depararam-se com a manchete: "Médico acredita que a alma tem peso". O doutor Duncan MacDougall, de Haverhill (EUA), conjecturou que, se a alma fosse material teria uma massa. Para provar a sua hipótese, equipou seis leitos com balanças de boa precisão e ocupou-os com pacientes que estavam à beira da morte. Seguiu-se um período de observação, durante o qual o doutor esperou pela morte de seus pacientes.
Cuidadoso, certificou-se de que a perda de peso medida já antes da morte era devida aos fluidos eliminados pelos pacientes pelo suor ou urina; após a sua evaporação, as balanças acusavam uma pequena perda de peso.
Um deles morreu após três horas e quarenta minutos. Para a surpresa do bom doutor, em alguns segundos, a balança acusou uma perda de 21,3 gramas. Seria esse o peso da alma, 21 gramas? Dos seis testes, dois tiveram que ser eliminados devido a erros nas balanças: num deles, a balança não havia sido calibrada corretamente; o outro morreu tão rápido que o médico não teve tempo de calibrá-la.
Dos outros três, dois indicaram uma perda de peso que continuou durante um bom tempo, e o último indicou uma perda de peso que depois reverteu ao normal. O doutor especulou que a partida da alma depende do temperamento da pessoa: as almas daquelas mais lentas demoram mais para abandonar o corpo.
O doutor repetiu o experimento com quinze desafortunados cachorros, não encontrando qualquer diferença no momento da morte. O resultado não o surpreendeu.
Pelo contrário, serviu de apoio à sua conclusão.Afinal, cachorros não têm almas.
Quatro anos mais tarde, o doutor MacDougall voltou às manchetes do "The New York Times". Desta vez, pretendia fotografar a alma usando o recém-descoberto raio-X. Resultados negativos foram atribuídos à agitação da substância animista no momento da morte. De qualquer forma, o doutor afirmou ter visto "a alma de doze pacientes emitir uma luz semelhante àquela vista no éter interestelar".
Pobre doutor. Provavelmente não sabia que em 1905 um jovem físico alemão de nome Albert Einstein havia demonstrado que o éter não existe.
Marcelo Glaiser
caderno Mais
Fonte: Folha de São Paulo
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
30 atitudes para deixar a vida mais bonita
do blog de onde eu tirei esse video 30 Things To Make Life More Beautiful você encontra postagens conservadorissimas como uma carta aberta para o presidente Bush e agradecendo-o pelo (des) serviço prestado e suspeitas sobre o discurso do Barack Obama quando este fala com os Mulçumanos. A blogueira é conservadora, o que me chama a atenção é que ela é leitora e comentarista de textos do Philip Yancey que ao meu ver (corrijam-me se estiver enganado ) parece ser nada consevador. Não imaginava que ele possuía leitores em grupos conservadores como parece ser essa blogueira.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
O dia do Fico do KaKá
O atacante Kaká resolveu recusar a maior proposta de transferência do futebol. Disse não aos R$ 365 milhões do Manchester City e ficar no Milan. A informação foi dada pelo presidente da equipe, o empresário Silvio Berlusconi, primeiro-ministro da Itália, em entrevista por telefone a um programa esportivo na TV. A notícia provocou reações, digamos, bastante entusiasmadas dos comentaristas (como é possível ver nesse vídeo).
postado em http://laryff.com.br/
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
A igreja caiu
Os caras viraram Xiita mesmo. Que fanatismo é esse mermão? Na tragédia querendo bater em Jornalista? Isso é falta de leitura da bíblia. Só pode ser. Para que vocês utilizam a bblia para guardar dólares, por acaso? Hein? Será que é porque alguém perguntou se com uns 50 mil dólares daria para fazer por ali uma boa reforma? Nem da casa os cara cuidaram. Graças a Deus o casalzinho ta guardado lá em Miami
domingo, 28 de dezembro de 2008
Quintanices II
sábado, 27 de dezembro de 2008
É Quintana???
É necessário alargar os horizontes
Quebrar os limites que nos delimitam os movimentos físicos
Ir para além das suas fronteiras
O ser humano precisa de espaço
Para respirar
Para existir.
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
A sabedoria que eu procuro,
Nisso está a sabedoria e a paz: diferenciar o mundo, separando-o da vida. "
Carlos Heitor Cony
Quintanices...
Mario Quintana
Quem inventou essa Prosperidade?
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
O que é...
por Zygmunt Bauman
Uma mensagem brilha na tela em busca de outra. Seus dedos estão sempre ocupados: você pressiona as teclas, digitando novos números para responder às chamadas ou compondo suas próprias mensagens. Você permanece conectado – mesmo estando em constante movimento, e ainda que os remetentes ou destinatários invisíveis das mensagens recebidas e enviadas também estejam em movimento, cada qual seguindo suas próprias trajetórias. Os celulares são para pessoas em movimento.
Você nunca perde de vista o seu celular. Sua roupa de jogging tem um bolso especial para ele, e você nunca sai com aquele bolso vazio, da mesma forma que não vai correr sem seu tênis. Na verdade, você não iria a nenhum lugar sem o celular ('nenhum lugar' é, afinal, o espaço sem um celular, com um celular fora de área ou sem bateria). Estando com seu celular, você nunca está fora ou longe. Encontra-se sempre dentro – mas jamais trancado em um lugar. Encasulado numa teia de chamadas e mensagens, você está invulnerável. As pessoas ao seu redor não podem rejeitá-lo e, mesmo que tentassem, nada do que realmente importa iria mudar.
Zygmunt Bauman,
Amor Liquido:
Sobre a fragilidade dos laços humanas, p. 78

